Anvisa descarta emergência em saúde após furto de vírus na Unicamp

Agência diz, a partir de dados enviados pela PF, que material biológico levado de laboratório não representa risco imediato; professora foi presa e universidade abriu sindicância interna

Sara Baptista

Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) descartou que o furto de vírus ocorrido na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) tenha causado uma emergência em saúde. Segundo nota divulgada pela agência nesta segunda-feira (30), a avaliação foi feita com base nas informações disponíveis até o momento.

“Em que pese o fato de a Anvisa não ser a responsável pela fiscalização de laboratórios de pesquisa científica e experimental, os técnicos da agência não constataram, com base nas informações disponíveis até o momento, a hipótese de emergência de saúde em decorrência desse material”, diz o comunicado.

A Anvisa também informou que fez a análise a pedido da Polícia Federal, integrando a ação de busca pelas amostras retiradas de um laboratório da Unicamp na semana passada. A agência disse ainda que não pode fazer mais comentários sobre as investigações porque o inquérito corre sob sigilo.

Relembre o caso

A professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, e seu marido, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller, são suspeitos de furtar material biológico da universidade. Soledad foi presa pela Polícia Federal.

O desaparecimento de caixas contendo amostras virais foi constatado no dia 13 de fevereiro. O material posteriormente foi localizado e encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise, segundo a PF.

De acordo com documento da Justiça Federal, os materiais foram encontrados em “laboratórios diversos”. “Foi apurado que tais materiais estavam armazenados em freezers e também parcialmente descartados em lixeiras, inclusive após manipulação”, diz o texto.

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A hipótese da polícia é de que o furto tenha sido motivado pela realização de pesquisas internas do casal.

Na semana passada, a defesa de Soledad afirmou ao Estadão que, em razão do sigilo decretado pela 9.ª Vara Federal de Campinas, não iria se manifestar. “Prezando pela segurança jurídica e pelo sigilo dos atos processuais, limitaremos nossas manifestações ao âmbito judicial, em respeito ao devido processo legal”, disse.

Em nota, a reitoria da Unicamp afirmou que colabora com as investigações da PF na condução do inquérito que resultou na prisão em flagrante da professora. A universidade disse ainda que instaurou sindicância interna para apurar o caso.

“A universidade mantém-se à disposição das autoridades competentes para auxiliá-las no esclarecimento das circunstâncias em que os fatos ocorreram. Os detalhes do caso serão preservados para não comprometer o andamento das investigações”, afirmou a instituição.

*Com informações de Estadão Conteúdo.