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Terceira maior queda do Ibovespa em outubro e sem força no curto prazo, RD sinaliza: remédio demorará a fazer efeito

Mais uma vez, o balanço da companhia decepcionou, ao mesmo tempo em que medidas para recuperar mercados podem afetar margens no curto prazo; porém, rede de farmácias segue sendo vista como um bom investimento no longo prazo

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(jarmoluk/Pixabay)

SÃO PAULO - Depois de anos brilhantes na bolsa, o ano de 2018 tem sido complicado para a RD (RADL3) que, por mais uma vez, decepciona ao apresentar os números trimestrais ao mercado. A expectativa dos analistas já era por resultados fracos, sendo um dos destaques negativos do setor varejista.

Mas, em alguns aspectos, o resultado da rede de farmácias conseguiu ser ainda pior do que muitos estavam esperando. Isso em meio a um aumento da alavancagem operacional, desaceleração das vendas nas mesmas lojas (e queda nas vendas das lojas maduras) e das margens, além de perda de participação no seu principal mercado, São Paulo. 

Com isso, a companhia viu seu lucro líquido cair 5,6% no terceiro trimestre, a R$ 128,8 milhões. Apesar da receita ter surpreendido o mercado e ter registrado alta de 10,2%, a R$ 3,94 bilhões, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ficou praticamente estável, a R$ 295,25 milhões, propiciando uma queda de 8,3% para 7,5% da margem Ebitda da empresa. "A RD paga o preço pela aceleração de seu plano de expansão", avaliam os analistas do Brasil Plural. Assim, a ação fechou a última quarta-feira (31) em queda de 3,35%, a R$ 62,82, na sessão desta quarta, e fechou o mês como a terceira maior queda do Ibovespa, de 13,27%

Não foi por falta de aviso: a própria empresa já havia destacado que altas margens dos tempos áureos para a companhia (também influenciados pelo forte reajuste de remédios autorizado pelo governo) seriam temporárias.

Além disso, a RD, conforme destacado pelo InfoMoney em matéria da semana passada, passou a enfrentar uma concorrência mais organizada não só das grandes companhias, principalmente da DPSP, como de empresas de pequeno e médio porte. Com isso, a estratégia da RD é se tornar, pelo menos no curto prazo, mais agressiva em genéricos, de forma a voltar a ocupar o espaço ameaçado pelas farmácias menores, o que deve ter impacto sobre as margens. 

A empresa também fechou quatro lojas da Farmasil, criada em 2013 com foco na renda mais baixa e que  está sendo descontinuada como parte da estratégia da companhia em adaptar as suas lojas das bandeiras Raia e Drogasil nas áreas de mais baixa renda. Esse fechamento de lojas, somado a serviços de consultoria, levou a uma despesa não-recorrente de R$ 3,5 milhões para a empresa no trimestre. 

Por outro lado, destaca o Brasil Plural, a RD parece estar penetrando com sucesso em novos mercados, aumentando sua participação nas regiões Norte e Nordeste em 0,6% e 0,9%, respectivamente.

Já em São Paulo, a RD continua perdendo participação de mercado, caindo 0,5 ponto percentual devido ao menor número de aberturas no estado em relação ao mesmo período do ano passado, pontuam os analistas. Contudo, eles destacam que a concentração mais baixa das receitas da empresa em São Paulo faz sentido se considerados seus esforços para acabar com o efeito de canibalização em suas operações.

Tudo isso posto, os resultados pouco animadores e a perspectiva de uma competição acirrada por mais alguns trimestres, levando à deterioração das margens da companhia, assim como o valuation considerado pouco atrativo, faz com que muitos analistas ainda não vejam uma boa oportunidade de entrada na companhia. 

"Continuamos a acreditar que os desafios estruturais de curto prazo enfrentados pela empresa podem permanecer e provavelmente continuarão a pressionar os resultados da RD", avalia o Itaú BBA, que possui recomendação market perform (desempenho em linha com a média do mercado) para a companhia. 

Por outro lado, a gestão da companhia segue sendo bem avaliada e a companhia continua ganhando mercado. Com a expectativa de que a sua estratégia agressiva comece a dar frutos em breve, muitos analistas projetam que a empresa volte a recuperar as suas margens a partir do ano que vem.

"O papel deve seguir com pressão no curto prazo, margens e receitas não devem ser grandes destaques por conta de maior competição e maior investimento em preços. Ainda temos visão positiva de longo prazo para o papel e o aumento de escala pode ajudá-la a compensar queda de margens mais a frente", destaca o BTG Pactual. 

Assim, a RD, por mais um trimestre, não animou o mercado, que ainda vê a ação cara em um ambiente de poucos catalisadores. Porém, a rede de farmácias tem alguns trunfos, como a sua forte participação de mercado e boa gestão - que faz a companhia ser vista como uma boa alternativa para investimento em ações, mas não agora. 

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