Lava Jato

Youssef arrecadou R$ 180 milhões em propina, mas ficou “só” com R$ 8 milhões

Doleiro recebeu quase R$ 200 milhões em esquema de pagamento de propinas por empreiteiras para obter benefícios em licitações com a Petrobras

SÃO PAULO – Interrogado pelo juiz Sérgio Moro, o doleiro Alberto Youssef, que operou as propinas investigadas na Operação Lava Jato, disse que recebeu o montante total de R$ 180 milhões no esquema de corrupção. De acordo com o depoimento de Youssef, de todo esse dinheiro “bruto”, apenas R$ 8 milhões ficaram com ele, sendo que o restante foi distribuído entre os outros participantes das operações ilícitas. 

Ele explicou que as propinas giravam em torno de 1% do valor dos contratos fraudados na Petrobras (PETR3; PETR4), sendo que uma parte ia parar nas mãos de partidos políticos e outra ficava para dirigentes da companhia. 

O doleiro ainda reafirmou em seu depoimento que várias empreiteiras faziam parte de um cartel cujo propósito era vencer licitações da estatal petroleira. Ele disse que as empresas sabiam que caso deixassem de pagar a propina não seriam mais beneficiadas. No entanto, negou que qualquer companhia envolvida tenha ameaçado denunciar o esquema ou deixar de pagar os valores combinados em troca dos benefícios. 

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Segundo informações do Estado de S. Paulo, ele ainda teria dito que existiam pedidos para favorecimento das empreiteiras “todo dia” e que a maioria dos parlamentares do PP recebiam propinas. “Isso era uma situação combinada entre empreiteiros, políticos e diretores da companhia, acredito que se (as empreiteiras) parassem de pagar não teria um andamento bom do contrato. Trabalhar com a Petrobrás já é muito difícil sem esse tipo de ‘assessoria’”, explicou. 

Enquanto Youssef respondia a questionamentos, nove réus da operação que haviam sido presos na sétima fase das investigações foram soltos depois de receber habeas corpus da Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal). Ricardo Pessoa, José Ricardo Nogueira Breghirolli, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Sérgio Cunha Mendes, Gerson de Melo Almada, Erton Medeiros Fonseca, João Ricardo Auler, José Aldemário Pinheiro Filho e Mateus Coutinho de Sá Oliveira receberam tornozeleiras eletrônicas e foram liberados para voltar às suas casas com transporte próprio para o regime de prisão domiciliar.