Críticas

Vitória de Bolsonaro seria “regressão terrível para o País”, diz Thomas Piketty

Piketty afirma que a democracia não pode ser salva se "o monopólio da ruptura do sistema" ficar nas mãos de reacionários como Bolsonaro

SÃO PAULO – Autor do best-seller “O Capital no século XXI”, Thomas Piketty, decidiu dar sua opinião sobre o cenário político brasileiro, criticando o candidato Jair Bolsonaro (PSL) e dizendo que sua vitória seria uma “regressão terrível para o País”.

Em seu blog no jornal francês Le Monde, o economista disse que Bolsonaro não gosta de pobres e é contra políticas sociais. “Ele surfa na nostalgia da ordem do homem branco, em um país onde os brancos não são mais maioria”, diz Piketty em seu artigo.

O autor ainda questiona as condições do impeachment de Dilma Rousseff e o impedimento da candidatura de Lula, dizendo que a eleição pode deixar “traços terríveis”.

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Ele chega a citar pontos positivos do governo PT, como o aumento do salário mínimo e a criação do Bolsa Família, mas diz que o partido não fez a reforma do sistema eleitoral, o que tornou inviável o combate à diminuição fiscal estrutural.

Piketty afirma ainda que a democracia não pode ser salva se “o monopólio da ruptura do sistema” ficar nas mãos de reacionários como Bolsonaro. “Na prática, foram os ex-escravos, e de uma maneira mais geral, os pobres, que foram excluídos do jogo político durante um século. Essa exclusão, entretanto, não veio acompanhada de uma política educacional de inclusão. Isso porque as classes dominantes nunca tentaram inverter a dura herança histórica”, diz.

Em “O Capital no século XXI”, lançado em 2014, Piketty diz que quando o retorno do capital é superior ao crescimento econômico, a riqueza tende a ficar mais concentrada. No livro, ele ainda faz uma previsão um tanto aterradora: as desigualdades na concentração de riqueza estão voltando a níveis vistos pela última vez antes da Primeira Guerra Mundial.

Porém, apesar do grande sucesso de sua obra, diversos economistas já contestaram a tese. Em 2016, o economista Carlos Goés destacou, em um trabalho para discussão publicado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), que não há “nenhuma evidência empírica de que as previsões catastróficas de Piketty em relação à desigualdade devem se materializar”.

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