Imprensa internacional

Vítima do “verdadeiro crime” de Dilma está tendo sinais de leve recuperação, diz FT

Isto provavelmente não será suficiente para salvar Dilma, mas poderia ajudar Temer, que tem no radar promessas de políticas para retomar a saúde econômica do País

SÃO PAULO – Em matéria desta segunda-feira (2), o jornal Financial Times destacou mais uma vez a crise vivenciada pelo Brasil. Desta vez, a publicação ressalta que a turbulência do Brasil esconde sinais de crescimento, enquanto os sinais de esperança na economia podem ter vindo tarde demais para a presidente Dilma Rousseff.

“Dilma está lutando contra um processo de impeachment no Senado para manipular contas públicas. No entanto, a maioria acredita que o seu verdadeiro crime, aos olhos dos mercados, da indústria e dos eleitores, foi o assassinato de uma das histórias de crescimento econômico mais promissoras do mundo”, afirma o FT.

Assim, destaca a publicação, uma grande ironia é que, num momento em que o Senado se prepara para a votação em 11 de maio que deve aceitar o pedido de impeachment e afastar a presidente,é que haja sinais – mesmo que fracos – de que a economia do Brasil está se recuperando.  

Isto provavelmente não será suficiente para salvar Dilma, mas poderia ajudar o provável sucessor, Michel Temer, que tem no radar promessas de políticas para retomar a saúde econômica do País. 

O jornal destaca o cenário de forte retração econômica, combinação do fim do superciclo de commodities e de erros de política econômica, como controle de preços administrados, taxa de juros artificialmente baixa e estímulos a alguns setores da economia.

Michel Temer herdará uma economia na maior recessão em um século, afirma o FT, com perspectiva de retração de 3,8% do PIB em 2016, desemprego batendo os 10,9% e o cenário de crédito deteriorado. Porém, alguns indicadores, como expectativas de inflação, estão começando a ficar mais positivas novamente. 

Outros ajustes no centro da economia incluem uma queda no custo do trabalho, enquanto o ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tentou reverter alguns dos erros, com a remoção dos preços administrados. Além disso apesar de, recentemente, o real ter se fortalecido, a desvalorização dos últimos meses ajudou o balanço em conta corrente do Brasil. 

“Alguns economistas dizem que, se Temer for capaz de montar uma equipe econômica crível, o círculo virtuoso poderia continuar”, diz o jornal. As taxas de juros poderiam começar a cair este ano, o investimento poderia subir e haver uma estabilização das finanças públicas. Mas o crescimento poderia ser “vago” dada a fraqueza da economia e da necessidade de aperto fiscal. Além disso, com a estabilidade política de um governo Temer também incerta com os escândalos de corrupção também atingindo o PMDB, os investidores seguem cautelosos com o Brasil, reforça o jornal.

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