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A fala do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta quinta (29), de que “sem dúvidas” apoia Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa à presidência, reforça que o governador tentará a reeleição em São Paulo e abre caminhos para as movimentações de composição de chapa no estado. Aliados apontam ainda que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, demonstra certa irritação com os rumos eleitorais de Tarcísio, ao defender publicamente que ele não demonstre submissão ao bolsonarismo.
Segundo um aliado, por muito tempo havia a expectativa de que Tarcísio pudesse ser “ungido” candidato ao Planalto por Bolsonaro, mas fica cada vez mais claro que o ex-presidente não vai abrir mão da candidatura do filho senador e de que o chefe do Palácio dos Bandeirantes não irá contra a vontade de seu principal padrinho político, e o encontro seria um símbolo dessa decisão.

Tarcísio sobre pré-candidatura de Caiado: Bolsonaro viu com bons olhos
As declarações ocorreram nesta quinta-feira (29), após Tarcísio ter visitado Bolsonaro na prisão em Brasília

Após visitar Bolsonaro, Tarcísio reitera apoio à Flávio e confirma reeleição
Declaração do governador encerra a incerteza sobre sua possível candidatura à disputa presidencial neste ano
Nesta quinta, Tarcísio foi até o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecido como “Papudinha”, onde Bolsonaro está preso. O encontro foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao sair do local, o chefe do Executivo paulista afirmou que a visita teve como objetivo prestar solidariedade ao ex-presidente e levar manifestações de apoiadores. No encontro, os dois falaram sobre as eleições, e Tarcísio voltou a descartar uma candidatura federal e disse que “sem dúvidas” apoia Flavio.
Oportunidade com segurança!
“O meu interesse é ficar em São Paulo. Isso não tem controvérsia nenhuma. A gente tem um projeto de longo prazo e quer ver esses projetos se materializando”, afirmou. “Eu tenho um papel importante dentro do time, que é cuidar do estado, que é o maior colégio eleitoral do Brasil. O grupo tem uma tarefa importante, que é proporcionar para o Brasil um projeto diferente”, declarou, ao mencionar que o país enfrenta, em sua avaliação, uma crise fiscal e moral.
Na visita, governador e ex-presidente também falaram sobre a filiação de Caiado ao PSD. Segundo Tarcísio, o movimento foi visto com bons olhos por Bolsonaro. Aliados afirmam que, após a visita, fica pacificada a questão em torno das candidaturas e do papel do governador, com o aval de Bolsonaro, ainda que haja esses movimentos de Kassab, que é secretário de Governo de São Paulo, em prol de um candidato próprio.
Aliados da base de Tarcísio avaliam que Kassab tem demonstrado certa “irritação” com os rumos eleitorais do governador. Nesta quinta-feira (29), em entrevista ao site UOL, Kassab defendeu que Tarcísio seja grato a Jair Bolsonaro, mas não submisso. A declaração circulou entre deputados e em gabinetes da administração estadual.
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“Tenho dito sempre ao governador Tarcísio que são muito importantes os gestos, as ações dele de reconhecimento, de gratidão a Bolsonaro, porque isso mostra caráter. Mas, também é importante que uma personalidade como ele, que é governador de São Paulo e tem pretensões de comandar o país um dia, mostre que tem a sua identidade. Uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade, outra coisa é submissão”, declarou Kassab.
O anúncio de filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado ao PSD já havia sido interpretado como um sinal de que Kassab, um dos principais entusiastas e fiadores da candidatura presidencial de Tarcísio, não está mais otimista com a reversão da candidatura de Flávio. Um aliado próximo do governador arrisca dizer que o maior ganhador da semana é o paranaense Ratinho Júnior, que está filiado há mais tempo no PSD e teria prioridade pela vaga contra Caiado e o gaúcho Eduardo Leite.
Kassab sempre foi entusiasta da candidatura de Tarcísio à presidência e trabalhava por isso, mas já teria entendido que isso não ocorreria sem a benção do ex-presidente, aponta outra fonte. O próprio presidente do PSD deixou isso claro em entrevista à Globo News nesta tarde, após a visita do governador a Bolsonaro.
“A palavra ‘jamais’ deve ser evitada na política, mas faço uma avaliação de que ‘provavelmente’, ele será candidato á reeleição em São Paulo, neste caso é jogo jogado. Mas jamais vou usar essa palavra nunca porque é uma palavra incompatível com a política”, disse, fazendo referência a entrevista do governador após sair da Papudinha. “(Ele) não apenas declarou apoio ao Flavio, mas reafirmou que é candidato ao governo de São Paulo.”
A atenção da política paulista agora se volta, mais do que nunca, para a chapa estadual encabeçada por Tarcísio. O posto é estratégico para uma eleição futura, em São Paulo, marcada para 2030, quando existiria novamente a obrigação de desincompatibilização de Tarcísio para concorrer a presidente, seis meses antes do pleito. Quem ocupar a cadeira facilita a construção de uma aliança para ir às urnas, a depender da avaliação do governo.
Uma fonte argumenta que o PL, com Flávio, já estaria contemplado politicamente, o que facilitaria a composição com o PSD do atual vice-governador, Felício Ramuth, ou com o próprio Kassab. Mas outras fontes já apontam a vaga deve ir para o deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp). O parlamentar tem dito a interlocutores que o partido será reforçado na janela partidária e que representa uma alternativa de pacificação dentro do parlamento e com prefeitos do interior. Outro acerto que deve avançar nos próximos meses é em relação ao Senado: hoje, Guilherme Derrite (PP-SP) é o nome mais consolidado, mas a outra vaga ainda está indefinida.
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Oposição aproveita
Entre lideranças do PT e integrantes do governo Lula, os movimentos recentes também aumentaram o nível de certeza sobre o enfrentamento a Flávio Bolsonaro na eleição presidencial, o que autoriza uma definição também em São Paulo, onde o petista precisa de um palanque forte e capaz de chegar ao segundo turno. O ministro do Empreendedorismo, Márcio França, afirma que Tarcísio “não passa confiança” para a família Bolsonaro e deve ser mesmo preterido.
“Ele é menor que a cadeira de governador de São Paulo. Deveria conduzir, não ser conduzido, mas parece submisso. Não tem a confiança nem da família Bolsonaro, por que teria a dos paulistas? Será a grande surpresa negativa da eleição”, disse ele.
A imagem de que Tarcísio estaria preso aos desígnios bolsonaristas tem sido explorada pelos seus críticos há meses. O argumento também se estende à sua postura frente ao presidente americano, Donald Trump, depois do “tarifaço” sobre as exportações brasileiras. Petistas adiantam que a foto do governador com o boné de campanha trumpista será uma das ênfases do pleito de outubro.
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