Virgílio diz que Sarney não tem licitude para continuar na presidência do Senado

Senador cita que pmdebista não teria declarado à Justiça casa de R$ 4 milhões; Sarney afirma que foi "equívoco" de contador

SÃO PAULO – O senador José Sarney (PMDB-AP) não possui mais legitimidade para manter-se na presidência do Senado, pois “não faz outra coisa” a não ser explicar constantes acusações em torno de seu nome, afirmou o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), nesta sexta-feira (3).

“O fato é que nós temos um presidente que é um pato manco”, disse Virgílio em uma alusão ao termo usado nos Estados Unidos que se refere à falta de força de governantes em final de mandato. Para o senador, é uma “suprema humilhação” Sarney precisar do apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) para continuar no cargo.

Em discurso no Plenário, Virgílio falou sobre reportagem publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo de que o pmdebista não teria declarado, em 2006, à Justiça Eleitoral a posse de uma casa de R$ 4 milhões, localizada na Península dos Ministros, no Lago Sul, região nobre de Brasília.

Equívoco?

Em nota divulgada nesta tarde, José Sarney afirmou que “por equívoco do contador, em 2006, foi apresentada à Justiça Eleitoral a mesma lista de bens de 1998”.

A casa também não está na declaração de 1998, pois havia sido comprada em agosto de 1997 em leilão e o pagamento foi feito em dez parcelas. “Durante esse período, o imóvel permaneceu em domínio de seu antigo proprietário, motivo pelo qual não foi incluído na declaração de Imposto de Renda de 1998 e, por consequência, não foi informado à Justiça Eleitoral naquele ano”.

Ainda de acordo com a nota, o registro foi lavrado em cartório em dezembro de 1997, mas a escritura foi passada apenas em 2007. Sarney anexou ao documento a declaração do Tribunal de Contas da União, comprovando que a posse da casa está registrada em sua declaração de Imposto de Renda de 1999 a 2007.