Violação da tornozeleira e risco de fuga levam Moraes a ordenar prisão de Bolsonaro

Ministro cita rompimento do monitoramento eletrônico e mobilização de apoiadores como fatores que poderiam facilitar fuga

Marina Verenicz

Jair Bolsonaro durante interrogatórios dos réus da Ação Penal (AP) 2668

Jair Messias Bolsonaro

 

Foto: Gustavo Moreno/STF
Jair Bolsonaro durante interrogatórios dos réus da Ação Penal (AP) 2668 Jair Messias Bolsonaro Foto: Gustavo Moreno/STF

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A Polícia Federal prendeu preventivamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) neste sábado (22) em Brasília, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A ordem foi emitida a partir de indícios de violação da tornozeleira eletrônica e do risco de que uma mobilização de apoiadores pudesse servir de cobertura para uma tentativa de fuga.

Moraes citou diretamente a convocação feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na noite de sexta-feira (21), quando o filho mais velho do ex-presidente chamou seguidores para uma “vigília pela saúde de Bolsonaro” nas proximidades do condomínio onde o pai cumpre prisão domiciliar.

Para o ministro, o ato tinha potencial de gerar tumulto, dificultar a fiscalização e criar condições favoráveis para evasão.

O magistrado registrou que a publicação de Flávio buscava reeditar mobilizações anteriores, com forte conteúdo de ataque ao STF, apresentando a corte como responsável por “perseguição” e tentando mobilizar apoiadores para cercar o local onde o ex-presidente está detido.

Moraes afirmou que a reunião convocada possuía “caráter beligerante” e poderia “obstruir a ação da Polícia Federal e da Polícia Penal do Distrito Federal”.

A decisão também menciona que, às 0h08 de sábado, o sistema de monitoramento do Distrito Federal detectou violação da tornozeleira eletrônica de Bolsonaro, um fato que, para o ministro, reforça a indicação de que ele pretendia romper o equipamento e fugir “aproveitando-se da confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”.

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Moraes acrescentou que outros aliados próximos já haviam escapado do país após condenação ou denúncia no âmbito da trama golpista. O ministro citou o deputado Alexandre Ramagem, atualmente foragido, a deputada Carla Zambelli, e o deputado Eduardo Bolsonaro, que deixou o território nacional antes de apresentar atestados médicos à Câmara. No entendimento do ministro, esse padrão indica uma “estratégia coordenada de evasão”.

A PF havia solicitado a reavaliação da prisão domiciliar na sexta-feira (21), sugerindo que Bolsonaro fosse transferido para a Superintendência da corporação em Brasília até a execução definitiva da pena de 27 anos e 3 meses por golpe de Estado. A avaliação da polícia era de que a permanência no condomínio representava risco à ordem pública e às equipes responsáveis pela execução das medidas.

Além do alerta sobre a vigília, a Diretoria de Inteligência Policial produziu um relatório apontando que o ato convocado para este sábado teria sido organizado para ocorrer justamente no perímetro externo da residência de Bolsonaro, ampliando as chances de confronto, bloqueio ou tumulto, todos fatores que, segundo Moraes, justificam a prisão preventiva para neutralizar riscos.

A partir da ordem do ministro, Bolsonaro será transferido para uma unidade da Polícia Federal, em regime de custódia provisória, enquanto o STF conclui os trâmites finais da ação penal e define o local de cumprimento da pena em regime fechado.