Eleições 2018

Vice de Lula deve ser anunciado amanhã; Haddad é o favorito

Segundo duas fontes ouvidas pelo InfoMoney, decisão de não assumir risco de desafiar TSE teria prevalecido no partido. Nomes de Gleisi Hoffmann e Manuela D'Ávila também estão no páreo

arrow_forwardMais sobre
Brasília- DF 27-10-2016 Fernando Haddad (PT/SP) Prefeito de São Paulo durante entrevista no Palácio do PlanaltoFoto Lula Marques/ AGPT

SÃO PAULO – O suspense em torno do nome que ocupará a vice na chapa encabeçada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a corrida ao Planalto deverá ser desfeito amanhã (5). Segundo duas fontes com conhecimento no assunto ouvidas pelo InfoMoney, as expectativas são de que o PT cumpra resolução do Tribunal Superior Eleitoral após um acirramento nos ânimos na véspera, que elevou o nível de incertezas em torno dos caminhos que o partido poderia seguir na disputa presidencial.

Na última semana, o Tribunal deu indicações de que poderia mudar o entendimento atual e exigir que seja cumprida determinação para os partidos definirem as chapas para as eleições em um prazo de até 24h após o limite para a realização das convenções partidárias — 5 de agosto. As sinalizações foram recebidas com surpresa pela assessoria jurídica de Lula. Embora as avaliações fossem de que não haveria precedentes para tal postura, teria vencido no partido a leitura de que não vale a pena tomar o risco de ficar sem candidato.

Nos bastidores, três nomes são considerados para a vaga de vice na chapa: Fernando Haddad, Gleisi Hofmann e Manuela D’Ávila. Neste sábado, Lula foi oficialmente aprovado por militantes e dirigentes como o candidato do PT para a disputa pela sucessão de Michel Temer. Ex-prefeito de São Paulo e atual coordenador do programa de governo da campanha, Haddad, é tido como favorito nos bastidores.

PUBLICIDADE

Na última semana, Haddad concedeu entrevista exclusiva ao InfoMoney. Clique aqui para assistir.

Alguns elementos potencializam o nome de Haddad. O fato de ser de São Paulo, maior colégio eleitoral do País, e ter governado a capital do estado por 4 anos ajuda, embora tenha saído derrotado em primeiro turno da disputa pela reeleição, em 2016.

São Paulo também é estratégico por representar a cidadela de Geraldo Alckmin (PSDB), adversário com maior estrutura de campanha nesta corrida presidencial. Apesar do tempo como governador do estado, o tucano não detém a preferência da maioria dos paulistas na disputa até o momento.

Segundo pesquisa Ibope divulgada ontem, Lula lidera o pleito no cenário de primeiro turno em que sua candidatura é considerada, com 23% das intenções de voto, tecnicamente empatado com o deputado Jair Bolsonaro (PSL), com 18%. Alckmin, por sua vez, tem a preferência de 15%. A margem de erro máxima é de 3 pontos percentuais para cima ou para baixo.

A escolha de um nome do estado pode ajudar a candidatura petista a manter parte dos votos que Lula hoje detém, somando pontos em terreno adversário. Haddad não é um nome com força no Nordeste, mas o peso do lulismo pode mover pedras. Além disso, a conquista da neutralidade do PSB, que antes negociava com a candidatura de Ciro Gomes (PDT) dá importante vantagem ao PT.

Com o quadro de inelegibilidade de Lula, Haddad é tido como o “plano B” do PT para a eleição presidencial, embora negue tal hipótese. O partido insiste que levará a candidatura do ex-presidente até as últimas consequências. Mas, com a tendência de que a Justiça Eleitoral barre a estratégia inicial, a sigla poderá substituir a candidatura. Uma das teses ventiladas é a de que Haddad poderia naturalmente herdar o posto estando na vice da chapa. Além disso, o processo de transferência de votos de Lula ao ex-prefeito poderia ser melhor preparado.