Operação Lava Jato

Vaccari teria lavado dinheiro em gráfica ligada ao PT, diz juiz

Um dos dirigentes que atuou na gráfica até 2010 é José Lopes Feijó, que é hoje assessor especial da Secretaria-Geral da presidência

SÃO PAULO – A Gráfica Atitude, que é apontada por investigados de ter sido usada pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, está em nome de dois sindicatos ligados ao PT. 

E um dos dirigentes que atuou na gráfica até 2010 é José Lopes Feijó, que é hoje assessor especial da Secretaria-Geral da presidência. Segundo o juiz Sérgio Moto, não há como falar desta vez que as operações feitas por Vaccari foram legais, tese esta até então defendida por seus dirigentes e pelo próprio tesoureiro. 

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“João Vaccari já vem sendo investigado há muito tempo, já temos indicações de doações para oficiais que escondem operações de lavagem de dinheiro, operações relativas a valores da corrupção na Petrobras, e nós verificamos que ele tem uma trajetória desse tipo de operação desde 2004”, disse o procurador regional da República Carlos Fernando Lima a jornalistas.

Segundo o delegado regional de combate ao crime organizado Igor Romário de Paula, há diversas indicações sobre a atuação dele no esquema. “Vaccari já vem sendo mencionado nas delações de cinco delatores diferentes, (e) há material apreendido contundente demonstrando a responsabilidade dele.”

Os delatores que apontaram para Vaccari são o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o ex-gerente da estatal Pedro Barusco, o doleiro Alberto Youssef e os executivos Júlio Camargo e Augusto Mendonça, da Toyo Setal, investigada na Lava Jato.

Além dos depoimentos, também foi identificado um pagamento de mais de R$ 1,5 milhão, feito por Mendonça a pedido de Vaccari, à gráfica Atitude, sem que houvesse prestação de serviço. Há fortes indícios de que o dinheiro tenha sido destinado para propinas, sob orientação de Vaccari, segundo os investigadores.

   

“O serviço nunca foi prestado da forma como foi contratado, e para a investigação fica claro que foi feito para quitar um pagamento de propina”, disse o delegado da PF.

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A Editora Gráfica Atitude, segundo a PF, tem histórico de prestação de serviços para campanhas políticas. A editora funciona no 19º andar de um prédio no centro de São Paulo. A empresa é responsável pela publicação da “Revista do Brasil”, do site “Rede Brasil Atual” e um programa de rádio. 

O papel de Vaccari no escândalo de corrupção da Petrobras era de operador, atuando junto à diretoria de Serviços da estatal, cujo diretor era Renato Duque, que também está preso, de acordo com os investigadores. “Acho que hoje não há mais dúvida quanto a isso”, disse o delegado Romário de Paula.

Já Lima afirmou ainda que “a posição de João Vaccari é muito semelhante à (do doleiro) Alberto Youssef, no sentido de que ele aparece como um operador, um representante de um esquema político partidário dentro da Petrobras”, disse o procurador.

(Com Reuters)