Operação Lava Jato

UTC relata “problema bem maior” após doar para Dilma; Mercadante foi citado por Odebrecht

Novas notícias sobre a Lava Jato ganham destaque no cenário político, como as mensagens de Ricardo Pessoa para executivo da UTC e e-mails de Marcelo Odebrecht citando Mercadante e Gabrielli

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SÃO PAULO – Na última quarta-feira (22), foi aventado pelo blog do Kennedy que um inquérito contra a presidente Dilma Rousseff pode ser aberto no STF (Supremo Tribunal Federal) por conta da delação do dono e presidente da UTC, Ricardo Pessoa. 

O empreiteiro apontou uma doação de R$ 7,5 milhões para a campanha de 2014 de Dilma a pedido do então tesoureiro e hoje ministro da Secretaria de Comunicação Social Edinho Silva. Pessoa disse que se sentiu obrigado a doar para não atrapalhar os contratos que a UTC tinha com a Petrobras (PETR3;PETR4). Edinho Silva confirmou que recebeu R$ 7,5 milhões, mas ressaltou que em doações lícitas, conforme prevê a legislação.

E hoje, em matéria da Folha de S. Paulo, novos detalhes sobre a delação de Pessoa vêm à tona. Ao acertar o repasse de R$ 5 milhões para o primeiro turno da campanha para a presidente em 2014, Pessoa disse ao diretor financeiro da empreiteira Walmir Pinheiro estar diante de um “problema bem maior”. O relato foi feito por meio de uma mensagem de celular.

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“Estive com Edinho. A pessoa que você tem que ligar é Manoel Araújo. Acerto 2.5 dia 5/8 (ate) e 2.5 ate 30/8. Ligue para ele que esta esperando. O problema e bem maior. Me de resposta. Edinho já me passou os dados. Abs”, escreveu Pessoa a um interlocutor chamado “WP”. WP é uma referência a Walmir Pinheiro, enquanto Manoel de Araújo Sobrinho é chefe de gabinete do hoje ministro Edinho.

O “problema” citado na mensagem era a diferença em relação ao valor que ele esperava contribuir e a quantia que teria sido solicitada por Edinho, então tesoureiro da campanha de Dilma, de R$ 10 milhões. 

Pessoa se comprometeu a pagar R$ 5 milhões em agosto de 2014 e outros R$ 7,5 milhões foram doados no segundo turno. Ele teria combinado uma doação de R$ 10 milhões, diz a Veja; porém, ele foi preso antes de doar o valor total. A mensagem é vista como um “contraponto de ideias” entre o empreiteiro e a campanha da presidente para a reeleição: Pessoa entrou na reunião com a expectativa de pagar menos. 

Neste encontro, Pessoa desembolsou mais dinheiro por que teria sido pressionado por Silva para continuar tendo obras e aditivos no governo e na Petrobras, segundo apurou a Folha.

Mercadante e Gabrielli são citados em e-mails de Odebrecht
Enquanto isso, o noticiário sobre a Lava Jato segue movimentado para a Odebrecht. De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, a análise da Polícia Federal de troca de e-mails entre o presidente da construtora, Marcelo Bahia Odebrecht, e executivos do grupo indicam suposta tentativa da maior empreiteira do País de apresentar propostas com preços majorados em contratos de navios-sondas para a Petrobras.

As mensagens citam os nomes do ministro-chefe da Casa Civil Aloizio Mercadante (PT-SP) e do ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli como contatos políticos nas negociações. Em 2011, ocasião da troca de e-mails, Mercadante ocupava o cargo de ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação.

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Em e-mail de janeiro de 2011, Odebrecht escreveu:  “quanto a Petrobras precisamos saber quem é que decide este assunto, e a estratégia para influenciá-lo. No que tange a influenciar temos vários caminhos (mais ou menos eficazes), mas precisamos ter cuidado com a reação de Estrela (Guilherme Estrela, ex-diretor da Petrobras) e equipe a esta pressão pois uma coisa é influenciar na construção de uma solução desde o início, outra é pressão para reverter uma decisão tomada.  Junto ao Estrela vejo importante a conversa de vocês (importante saber tb feedback conversa Mercadante – me acionem se não conseguir obter do Luiz Elias). Posso também pedir a Mercadante um reforço”.

E, continua: “por fim tem o próprio Gabrielli como ultima tentativa, que poderia fazer. Ele não gosta da gente (Suzano, Quattor, sondas), mas a tese é boa e talvez quem sabe?”

Nas conversas entre 2010 e 2011 com outros dois executivos da Odebrecht (Rogério Araújo e Márcio Farias), o tema tratado é os sete contratos de navios-sonda, usados para exploração de petróleo em alto mar, nos campos do pré-sal. 

Os contratos foram fechados em 2011 com a Sete Brasil. Delatores da Lava Jato afirmaram que os contratos envolveram propina de 1% destinada ao esquema de corrupção na estatal, via PT. 

“A partir desse material identificou-se elementos que demonstram a tentativa da Odebrecht em apresentar propostas comerciais com preços majorados, relativas a contratos para prestação de serviços de operação de sondas, em prejuízo da Petrobras”, atesta o laudo da PF.

(Com Agência Estado)