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A Executiva Nacional do União Brasil decidiu nesta quarta-feira (8) afastar o ministro do Turismo, Celso Sabino, de todas as instâncias partidárias, após o ministro se recusar a deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão, tomada durante reunião da cúpula da legenda em Brasília, também inclui intervenção no diretório do Pará, presidido por Sabino, e a abertura de um processo disciplinar que poderá resultar em sua expulsão definitiva do partido.
Pelo estatuto da sigla, o ministro terá 60 dias para apresentar defesa ao Conselho de Ética.
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PP afasta André Fufuca da vice-presidência e intervém no diretório do Maranhão
Decisão foi tomada após o ministro do Esporte desafiar o partido e reafirmar apoio ao presidente Lula

Celso Sabino desafia União Brasil e confirma permanência no governo Lula
Ministro do Turismo diz ter “confiança de Lula” e considera inoportuna a troca no comando da pasta às vésperas da COP30
Mesmo sob risco de punição, Sabino reafirmou que permanecerá no ministério. “Sigo ao lado do presidente Lula por entender que é o melhor. O partido, no meu entendimento, tem tomado decisões equivocadas”, declarou a jornalistas após o encontro.
O ministro, que é deputado licenciado, foi o único voto contrário ao próprio afastamento durante a votação.
A direção nacional do União Brasil argumenta que Sabino descumpriu a orientação de desembarque da base aliada, definida em setembro, quando o partido e o PP — que formam uma federação — decidiram que filiados deveriam deixar cargos na Esplanada até 19 de setembro. O não cumprimento da determinação seria enquadrado como infidelidade partidária.
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Sabino, no entanto, ignorou o ultimato e manteve sua agenda com o governo federal. Em setembro, chegou a protocolar uma carta de demissão, mas recuou a pedido de Lula, com quem esteve em eventos recentes em Belém (PA).
Em uma dessas agendas, o ministro afirmou que apoiará o presidente em 2026, independentemente do cenário eleitoral.
“Injusta”
O ministro classificou a decisão da Executiva como “açodada e injusta” e defendeu que ainda há espaço para diálogo. “Acredito que o partido tomou decisões equivocadas, açodadas, mas há tempo para buscarmos entendimento”, disse.
Segundo ele, a proximidade da COP30, que será realizada em novembro em Belém, torna inoportuna qualquer mudança no comando do Turismo.
“Estamos a 30 dias da COP30, a maior reunião diplomática do planeta. Não vejo como oportuno que haja uma interrupção no trabalho que vem sendo feito”, afirmou.
Sabino também ironizou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, vice-presidente nacional do União Brasil e um dos críticos mais duros à sua permanência. “Quando ele atingir 1,5% nas pesquisas, eu respondo”, disse o ministro.
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Avaliação eleitoral
A manutenção no cargo tem forte peso eleitoral. Sabino planeja disputar uma das duas vagas ao Senado pelo Pará em 2026 e acredita que a visibilidade e o apoio de Lula podem fortalecer sua candidatura.
“Pelo bem do turismo, pelo bem do povo do Pará e pela realização da COP30, vou permanecer no governo. Tenho a confiança do presidente Lula e o apoio da maior parte da bancada”, declarou.
O ministro do Turismo chegou a propor à direção do União Brasil um acordo de transição para deixar o cargo apenas após a COP30, mas a sugestão foi rejeitada. O relator do processo disciplinar, deputado Fábio Schiochet (SC), confirmou que o caso seguirá para análise do Conselho de Ética da legenda.
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A decisão de afastar Sabino ocorre no mesmo dia em que o PP (Progressistas) também puniu o ministro do Esporte, André Fufuca (MA), que resistiu à ordem de deixar o governo.
Em nota assinada pelo presidente do partido, Ciro Nogueira, a legenda anunciou o afastamento de Fufuca da vice-presidência nacional e do comando do diretório estadual do Maranhão.
Com a medida, tanto Sabino quanto Fufuca — dois ministros da cota do Centrão — perdem espaço nas respectivas siglas, mas mantêm o apoio do Palácio do Planalto.
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Lula, em entrevista recente, classificou as sanções como “erro e bobagem”, afirmando que ambos “têm mandato e maturidade para decidir o próprio caminho”.
O governo avalia que manter os dois ministros no cargo, ao menos até o fim do ano, é uma estratégia para conter o esvaziamento político da base aliada e preservar canais de diálogo com o Centrão, num momento de disputa aberta entre o Planalto e as federações partidárias de centro.