"Homem-bomba"

Um tuíte de US$ 4 bi e quebra de protocolo com a China: Trump rouba a cena no exterior

O recém-eleito presidente do EUA causou bastante confusão nesta terça-feira após pedir o cancelamento da construção no novo Air Force One

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SÃO PAULO – Enquanto no Brasil o mercado está de olho na cena política desde a noite de segunda-feira (5), com o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado (e a recusa dele de sair), no exterior é Donald Trump quem está no centro das atenções com duas notícias. Uma envolve a construtora de aviões Boeing e outra está ligada a um grave incidente diplomático com a China.

Nesta manhã, o republicano eleito presidente do Estados Unidos publicou em seu Twitter um pedido para que seja cancelado o pedido de construção do avião presidencial, o Air Force One, que, segundo ele, está com os custos “totalmente fora de controle”. Trump disse que o valor total do negócio está próximo de US$ 4 bilhões, o que é inadmissível.

“A Boeing está construindo um Air Force One com um modelo 747 totalmente novo para os futuros presidentes, mas os custos estão fora de controle, mais de US$ 4 bilhões. Cancelem a encomenda!”, tuitou o republicano. “Eu acho que a Boeing está forçando um poucos os números. Queremos que a Boeing ganhe muito dinheiro, mas não tanto dinheiro”, disse horas depois o presidente eleito a jornalistas acrescentando que o valor é “ridículo”.

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A Boeing divulgou uma nota oficial em que comenta o assunto: “Atualmente temos um contrato de USD 170 milhões para determinar os recursos necessários para esta complexa aeronave militar que atende às necessidades singulares do presidente dos Estados Unidos. Esperamos trabalhar com a Força Aérea dos Estados Unidos nas próximas etapas do projeto para que possamos entregar as melhores aeronaves para o presidente ao melhor custo para os contribuintes”.

Crise com a China
Enquanto isso, representantes da Casa Branca em Washington estão tentando tranquilizar a China, após Trump criar um incidente diplomático ao telefonar para líderes de Taiwan, país considerado uma província rebelde e separatista por Pequim, segundo informações da Agência ANSA.

Um presidente norte-americano não falava com Taiwan desde 1979 e a China evita todos os comentários relacionados ao país. De acordo com jornais norte-americanos, Trump ligou para a presidente de Taiwan, Tsai Ing-Wen, para demonstrar uma mudança na política do seu país. Mas o Ministério das Relações Exteriores de Pequim afirma que os EUA precisam reconhecer a China como um território único.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lu Kang, disse que acredita que os EUA manterão seu compromisso com esse princípio, pelo qual o único governo chinês reconhecido pelo governo americano é o de Pequim, o que afasta Washington das aspirações independentistas de Taiwan.

“Somente assim podemos garantir a continuidade do desenvolvimento da cooperação de benefício mútuo entre ambas as partes”, disse Lu em entrevista à imprensa, após o recente contato telefônico de Trump com a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen.