Resumo da semana

Tudo que você precisa saber para terminar a semana bem informado

Confira tudo que aconteceu na semana que passou e as principais análises para seguir investindo bem

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SÃO PAULO – Mesmo saindo das mínimas registradas pela manhã, o Ibovespa não conseguiu nesta sexta-feira (16) reverter as perdas dos últimos dias e fechou a semana no negativo com o mercado ainda bastante de olho no cenário externo, onde ainda há muita tensão por conta da guerra comercial que Donald Trump está gerando.

Por outro lado, foi um movimento pontual, com a queda forte da Petrobras após divulgar seu resultado do quarto trimestre, que acabou pesando para o desempenho da semana. Vale destacar também que a última semana foi de volume abaixo da média na bolsa, o que tende a apontar um clima de cautela no mercado.

Confira os principais eventos da semana:

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“Efeito Trump” e dados nos EUA

Enquanto o mercado ainda tenta analisar os impactos da sobretaxa do aço e alumínio, o presidente Donald Trump segue sendo uma incógnita para os investidores e na última terça mais uma surpresa atingiu a bolsa. O republicano demitiu o secretário de Estado Rex Tillerson e colocou Mike Pompeo em seu lugar.

A mudança ocorreu em um momento de grandes expectativas na política externa dos Estados Unidos, em que Tillerson vinha preparando negociações com a Coreia do Norte. Especula-se que a troca tenha sido efetuada por conta de uma divergência entre Tillerson e Trump em alguns pontos de vista na forma de condução dos negócios. Pompeo fez carreira militar no país e posteriormente se tornou diretor da CIA.

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Mas, enquanto Trump mostra que sempre pode trazer surpresas para os investidores, os indicadores econômicos vão dando pistas sobe qual pode ser a condução da política monetária do Federal Reserve, que anuncia na próxima semana sua decisão sobe os juros no país.

Na terça passada, a inflação ao consumidor nos EUA subiu 0,20% na passagem de janeiro para fevereiro, em linha com a expectativa do mercado, mas abaixo dos 0,5% registrados no primeiro mês do ano, desaceleração que mostra um cenário benigno para a inflação no país. 

No dia seguinte, as vendas ao varejo desaceleraram 0,1% na comparação mensal, enquanto que a expectativa era por um crescimento de 0,3%, revelando que a economia dos EUA não está superaquecida e oferece espaço para que o Fed não aperte o passo com relação ao aumento dos juros.

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Por fim, destaque também para a fala de Larry Kudlow, novo diretor do Conselho Econômico de Donald Trump, que se disse a favor do dólar forte e também foi crítico da postura do Fed, ao dizer que o BC deixou por muito tempo a política monetária acomodatícia, como é a favor de endurecer o comércio com a China. A fala teve forte impacto no dólar no mundo todo e pode pesar para os preços nas próximas semanas.

Expectativa pelo corte da Selic

Se alguém no mercado tinha dúvidas se o Copom vai reduzir a Selic na próxima semana, o Relatório Focus da última segunda praticamente cravou a nova visão dos analistas. O deocumento mostrou que o mercado espera por um corte de 25 pontos-base da Selic na próxima reunião.

Além disso, mais uma vez foi reduzida a expectativa para o resultado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) neste ano, passando de 3,70% para 3,67%. Para completar o cenário benigno para a inflação, o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) registrou queda de 0,42% na primeira quadrissemana de março, ao passo que o mercado esperava deflação de 0,37%.

Reforçando o cenário positivo para o ritmo dos preços, em apresentação em São Paulo, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfjan, disse que a inflação parece caminhar para voltar à meta, contudo também não descartou a possibilidade de haver inflação abaixo do esperado, o que reforçou a visão de que os juros devem cair.

Petrobras desanima o mercado

No dia de pior desempenho do Ibovespa na semana, a Petrobras derrubou o Ibovespa após desapontar o mercado com seu resultado do quarto trimestre. O balanço foi bastante “poluído”, com diversos itens não-recorrentes para os investidores analisarem.

Mesmo com a queda nos números, analistas apontaram dados bastante positivos e que não deveriam assustar o mercado (clique aqui e confira a análise completa). Segundo um analista de uma gestora que não quis se identificar, a estatal apresentou números operacionais bastante fortes e mostrando progresso com venda de ativos que representavam um forte impacto na linha de despesas. 

Os analistas do Bradesco BBI, por sua vez, apontaram que a empresa apresentou melhores margens em seus negócios com preços mais elevados do petróleo e custos ligeiramente mais baixos, com custos upstream (exploração e produção) caindo 4% e downstream (refino) em baixa de 6%, embora a taxa de utilização da refinaria tenha permanecido em 77%.

A Petrobras reportou Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 13 bilhões no quarto trimestre do ano passado, abaixo do esperado pelo mercado (R$ 23,9 bilhões), ao passo que a empresa apresentou prejuízo líquido de R$ 5,48 bilhões na passagem trimestral, revertendo o lucro de R$ 2,51 bilhões um ano antes. No entanto, as receitas de vendas superaram as estimativas, atingindo R$ 76,51 bilhões, enquanto que o esperado era de R$ 74,8 bilhões no período.

Fusão entre Suzano e Fibria
Essa semana também marcou uma das fusões mais esperadas pelo mercado (há muito tempo por sinal): a da Fibria com a Suzano. A junção das duas companhia resultará na maior empresa do setor de papel e celulose do mundo, contando com 37 mil funcionários diretos e indiretos, 11 unidades industriais e 11 milhões de toneladas de capacidade de produção de celulose de mercado.

Se os números são expressivos, o desempenho dos papéis em bolsa das duas empresas envolvidas também o foram em meio aos termos da transação para a união delas. A Fibria fechou em baixa de 10,22% nesta sexta, uma vez que o investidor receberá para cada 1 ação FIBR3 uma quantia em dinheiro (R$ 52,50, corrigido pelo CDI até o dia da conclusão do negócio, que deve ocorrer em até 15 dias corridos) e 0,4611 ação SUZB3. Em relação ao fechamento de quinta, essa oferta chegava em R$ 63,29 por ação, ou 11,6% menor do que o papel da Fibria fechou na Bovespa. Enquanto isso, a Suzano disparou 21,79%.

De qualquer forma, as perspectivas para a união das duas companhias são bem positivas: a gigante que resultará das duas empresas estará mais apta a negociar melhor com clientes, reduzir descontos e contribuir para maiores receitas. Se as duas empresas, sozinhas, já eram conhecidas por sua alta qualidade, juntas, as perspectivas são de que elas irão ainda muito mais longe. Veja mais clicando aqui.

Especiais InfoMoney

Visão Técnica: o programa recebeu nesta semana o analista técnica da XP Investimentos, Aliakyn Pereira, que alerta para o momento de indefinição do mercado e três oportunidades de compra para a próxima semana (clique aqui e confira a análise)

Como viver de renda fixa: O analista-chefe da Rico Investimentos falou sobre as melhores opções disponíveis para quem tem R$ 200 e R$ 600 mensais para investir (veja o programa completo clicando aqui).

Bê-a-Bá da Bolsa: Thiago Salomão, responsável pela Carteira InfoMoney, explicou a estratégia para incluir ações de mais de uma empresa do mesmo setor no portfólio e apresentou carteiras com investimento inicial de R$ 4 mil, R$ 2.600 e R$ 200 (clique aqui e confira).

Tesouro Direto com Ganhos Turbinados: O professor Alan Ghani contou qual o melhor momento para vender títulos que se valorizaram e como reinvestir para não desperdiçar os ganhos (saiba mais clicando aqui).

Fundos Imobiliários: Tiago Reisa, da Suno Research, afirma que este tipo de ativo está bem precificado e paga atualmente o dobro da renda fixa, com riscos menores que a Bolsa (confira a análise clicando aqui).

InfoMoney Entrevista: O convidado desta sexta foi José Aníbal, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB. Na pauta, a disputa interna nas prévias tucanas, a conjuntura política nacional e os desafios para a candidatura de Geraldo Alckmin à presidência (veja a entrevista aqui).

Conexão Brasília: O programa recebeu o advogado criminalista Renato Vieira, diretor do IBCCrim (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais). Na pauta, os novos atritos entre Judiciário e Executivo com a última concessão de indulto natalino, o debate em torno da prisão em segunda instância, a excessiva fragmentação do STF e suas consequências do ponto de vista institucional (clique aqui a confira o programa).