Opinião

Trump vs. Doria e outros paralelos

Estamos cansados de tanta roubalheira e corrupção, de fazermos os ajustes cosméticos e postergarmos o que realmente interessa

* por José Roberto Securato Junior

EUA tem a ver com as eleições no São Paulo? O que Trump tem a ver com Dória? O que Trump tem a ver com a primeira eleição do Lula? O que aprendemos com Trump, Brexit, América Latina e outras surpresas (além de não acreditar em pesquisas pré-votação): Interesting times é a resposta.

EUA vs. São Paulo é fácil, pois é a total falta de opção em quem votar. É a disputa do sujo com o imundo, como diz minha avó. Muitos qualificam o Trump como louco, racista, com seu discurso de “make America strong again” a qualquer custo. Mas a Hilary ou os Clintons, esses devem muito para muita gente.

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“Corrupta democrata” foi o adjetivo mais brando que eu ouvi nas minhas redes sociais. Eu não sou cientista político para elaborar com propriedade sobre os “pros” e “cons” de cada candidato, mas observei o suficiente para constatar que eram duas péssimas opções.

Trump e Dória representam a vitória do anti-político. O povo está cansado de ser enganado (ah, essa é nova, não é?). Estamos cansados de tanta roubalheira e corrupção, de fazermos os ajustes cosméticos e postergarmos o que realmente interessa. Cansados da agenda que não vai além de quatro anos (ou em alguns casos dois anos). Ambos foram muito convincentes com os argumentos que eram empresários ricos (não políticos), financiaram suas campanhas e, portanto fariam o que é certo (seja lá o que isso significa) porque eles não devem nada para ninguém. O tempo dirá!

Leiam o discurso de vitória do Trump – bastante conciliador. “Não sou tão velho, mas já estou me acostumando a separar campanha política de mandato político.”, disse.

Para “make America strong again”, Trump precisa dos Mexicanos – eu realmente não acredito que ele vai fazer metade das atrocidades que ele falou na jornada da campanha política dele. Igual o Lula no primeiro mandato. A prática foi bem mais branda do que o discurso, quero crer que Trump fará o mesmo e pode se provar uma boa surpresa.

Por fim, Trump representa priorizar o “auto centrismo”, voltar às políticas para dentro, o fim do liberalismo (em excesso), e o foco no mercado interno, nas políticas e demandas internas. Como o Brexit! Eu vejo isso com naturalidade, a naturalidade da busca de um equilíbrio inalcançável entre liberalismo-intervencionismo e abertura-fechamento econômico.

Depois de um ciclo muito liberal, de muita abertura que impulsionou as economias mundiais até 2008 e com um suspiro nos cinco anos seguintes, os problemas e as crises abrem espaço para o movimento contrário, de fechamento econômico que deve ser pauta frequente nos próximos anos.

É a hora de olharmos para dentro e fazermos nossa lição de casa, tanto como país, como empresas, e nos prepararmos para o próximo ciclo de abertura política, econômica, expansionismo.

Desejo muita sorte para os EUA e o México – eles vão precisar. Os paralelos que tracei são meramente pontuais e superficiais – uma análise mais profunda certamente provará que tais paralelos param exatamente aí. Aceito essa crítica. E o meu conformismo com a situação atual vem do fato de não termos muito que fazer, a não ser torcer… Ofereço-te o meu “wishfull thinking” (ou o “querer crer”) que as coisas darão certo. Precisamos acreditar que as coisas darão certo! Que o Dória sabe o que está fazendo! Que o Trump é doido, mas não é burro! Que o Temer não vai tentar se reeleger! E que o Palmeiras vai ter seu mundial! Eu só não acredito mais em pesquisa pré-votação!

* José Roberto Securato Junior é professor da Saint Paul Escola de Negócios e vice-presidente do IBEVAR ( Instituto Brasileiro de Executivos de varejo e mercado de Consumo).