Otimismo cauteloso

Três razões para acreditar na virada do Brasil, segundo Giannetti (e um risco a esse cenário)

Em evento realizado pela Empiricus, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca destacou ter otimismo cauteloso com o Brasil, destacando que a política segue no radar como um risco

SÃO PAULO – Em meio ao cenário de expectativa para as atitudes a serem tomadas pelo governo interino Michel Temer se (muito provavelmente) for efetivado o impeachment, ainda há um ambiente de fortes dúvidas sobre a capacidade de realizar reformas e recuperar a economia brasileira.  

Em evento realizado pela casa de research Empiricus nesta segunda-feira (1) o economista Eduardo Giannetti da Fonseca destacou que “estamos em um ponto de virada do Brasil” em meio ao processo de impeachment, que é realizado dentro de um ordenamento político. Além disso, a equipe econômica do novo governo é de qualidade e o programa “Pontes para o Futuro” é bastante completo para atacar os problemas nacionais. 

Giannetti lista três motivos para ter otimismo cauteloso com o Brasil: i) a perspectiva de inflação em desaceleração, assimilando os preços administrados e permitindo uma redução do juro consistente, o que é positivo também para reduzir o custo fiscal; ii) equilíbrio das contas externas, com exportações reagindo: “temos muito que caminhar, mas as contas externas estão mais ajustadas” e iii) alta ociosidade interna, tanto de máquinas quanto de mão de obra qualificada.

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Porém, para a virada, isso depende muito de uma das coisas mais fundamentais e intangíveis, que é a confiança, aponta ele. O economista ainda traça um paralelo da economia com a meteorologia, ao dizer que “a economia é uma previsão do tempo que afeta o próprio tempo”.

Para o economista, o teste decisivo vai ser a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do teto de gasto. “Se aprovar, vai haver uma virada de página”, afirmou ele.

Enquanto isso, o grande risco para essas perspectivas é o político. “Há uma excelente equipe econômica, mas há políticos no governo envolvidos em outro jogo – com a Lava Jato – e podem surgir fatos em delações premiadas que perturbem ainda mais a condição do presidencialismo de coalizão. Enfraquecendo presidencialismo, outros acabam tomando as forças”. Para ele, “a economia brasileira estava na UTI, está na convalescência e pode melhorar”, mas há esse risco pela frente.