Análise

Transferência de votos de Lula mina poder de Ciro e Marina, mostra XP/Ipespe

No cenário em que Fernando Haddad é apontado como "candidato de Lula", transferência de votos é maior no Nordeste, entre eleitores menos escolarizados e mais pobres

A possibilidade de Lula deixar a prisão no domingo fez retomar o debate sobre o potencial de transferência de votos do ex-presidente para seu indicado – e inaugurou a discussão sobre os efeitos dessa transferência nos outros candidatos de esquerda.

No cenário em que Fernando Haddad é apontado ao entrevistado como “candidato do Lula”, ele salta de 2% para 12%, na média das seis pesquisas XP/Ipespe em que a questão foi apresentada.

Tanto Marina Silva quanto Ciro Gomes perdem cerca de dois pontos percentuais cada com a informação de que o ex-prefeito é o candidato de Lula. Este estudo se dedica justamente a identificar quem é o eleitor de Marina e de Ciro que muda sua posição quando tem a informação de que Haddad é o candidato apoiado por Lula.

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Com essa informação explícita, os eleitores que deixam os dois candidatos são caracterizados principalmente por serem da região Nordeste, menos escolarizados e se situarem entre os mais pobres.

Uma vez que os eleitores originais de Ciro e Marina já têm essas características, poderia haver um viés natural no grupo da migração. Identificamos, porém, que os eleitores que mudaram seu voto para o petista depois da identificação têm uma concentração ainda maior nos grupos identificados acima.

No grupo que deixa Ciro para apoiar Haddad, 60% são do Nordeste – no eleitorado do pedetista, essa fatia é de 47%. No caso de Marina, o grupo que muda seu voto tem 54% de eleitores da região, contra 32% em seu eleitor total.

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Fonte: XP/Ipespe

O grupo de eleitores de Ciro Gomes que muda seu voto tem 19% com até a quarta-série completa (são 12% em seu eleitorado total). No caso de Marina, 22% dos que mudaram estão na mesma faixa de escolaridade (são 14% no seu eleitorado).

Há um desvio considerável também em relação à faixa de renda. Os eleitores de Ciro e de Marina que mudam o voto são mais pobres que sua média. No caso do pedetista, 33% dos que alteram o voto têm renda de até um salário mínimo, contra 22% de seu eleitor. Entre os eleitores da ex-senadora que optam por Fernando Haddad quando são informados do apoio de Lula, 36% estão nessa faixa de renda – entre todos os seus eleitores, essa fatia é de 27%.

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A diferença do eleitorado que migra de Ciro e Marina é a idade. Entre os que migraram de Ciro, 81% tem acima de 35 anos ante 71% de seu eleitorado médio. Já os que deixaram Marina Silva 46% tinham até 34 anos, ante 38% no seu eleitorado.

Foram consideradas 6.000 entrevistas, realizadas ao longo de seis semanas, em que não houve variação além da margem de erro nas respostas.