Acordo de leniência

Tradicional montadora de carros sobe em Londres após “delação premiada” que inclui Brasil

No Brasil, o nome da Rolls-Royce surgiu pela primeira vez nas investigações da Operação Lava Jato há quase dois anos, quando o ex-gerente da Diretoria de Serviços da Petrobrás Pedro Barusco citou a companhia em sua delação premiada

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LONDRES – As ações da Rolls-Royce avançavam mais de 6 por cento nesta terça-feira, após a fabricante de motores aeroespaciais britânica fechar acordo em uma longa investigação de suborno e corrupção e afirmar que o lucro de 2016 vai superar as expectativas.

A notícia sobre o lucro veio como um impulso para a empresa após um período de 18 meses de redução de custos e reestruturação liderada pelo seu presidente-executivo, Warren East, que foi contratado para estabilizar a empresa em meados de 2015, após uma série de alertas de resultado.

Analistas disseram que o acordo da Rolls-Royce com autoridades britânicas, norte-americanas e brasileiras sobre uma investigação de suborno também ajudou a remover uma nuvem que paira sobre a empresa desde 2013, embora a penalidade tenha ficado acima do esperado.

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A empresa vai pagar 671 milhões de libras (813 milhões de dólares) para encerrar investigações ligadas a casos de suborno e corrupção envolvendo intermediários.

Sandy Morris, analista da Jefferies, disse que o impacto da multa no acordo foi mitigado pela decisão das autoridades de concordarem em dividir o pagamento em cinco anos, o que significa que o impacto financeiro sobre a empresa foi “negativo, mas benigno”.

A Rolls-Royce disse em um comunicado na segunda-feira que terminou o ano forte, o que significa que o lucro e o fluxo de caixa ficariam acima das expectativas.

As previsões dos analistas eram de lucro antes de impostos em 2016 de 686 milhões de libras (831,23 milhões de dólares), a metade do que havia conseguido no ano anterior.

A empresa disse que os acordos feitos com as autoridades envolveriam um pagamento de cerca de 293 milhões de libras pelo grupo no primeiro ano.

A companhia deve buscar aprovação judicial final para seu acordo com o Escritório de Fraude do Reino Unido (SFO, na sigla em inglês) nesta terça-feira.

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Brasil
No Brasil, o nome da Rolls-Royce surgiu pela primeira vez nas investigações da Operação Lava Jato há quase dois anos, quando o ex-gerente da Diretoria de Serviços da Petrobrás Pedro Barusco citou a companhia em sua delação premiada. De acordo com Barusco, a empresa teria pago propina para garantir o fornecimento de turbinas de geração de energia para plataformas de petróleo da estatal brasileira. O contrato foi de US$ 100 milhões e Barusco faturou US$ 200 mil na ocasião, segundo seu relato. O ex-gerente disse, no entanto, não se lembrar quem mais teria recebido recursos da Rolls-Royce.

A delação de Barusco levou à apuração do envolvimento do empresário Luis Eduardo Campos Barbosa da Silva, que foi apontado pela Polícia Federal como sendo operador da SBM Offshore, Rolls-Royce e Alusa, todas empresas fornecedoras da Petrobrás, no esquema.

O executivo era sócio do representante da SBM, Julio Faerman, na empresa Oildrive Consultoria em Energia e Petróleo e ex-funcionário da Asea Brown Boveri (ABB). Os dois, de acordo com as investigações, eram conhecidos como “Batman” e “Robin” e ambos fizeram delação premiada. À Polícia Federal, Silva disse que a Oildrive prestou consultoria em favor da Rolls-Royce e que os serviços foram efetivamente prestados.

(com Reuters e Agência Estado)