Internacional

Torcida do Liverpool defende Dilma em jogo enquanto Economist “pede” novas eleições

Em jogo realizado na última quinta-feira (7) na Alemanha contra o Borussia Dortmund, dois torcedores do Liverpool levaram uma bandeira em apoio à presidente Dilma Rousseff

SÃO PAULO – A The Economist sempre deu bastante destaque para o Brasil, desde quando ainda considerava o País uma potência em acensão (quem não lembra da icônica capa com o Cristo Redentor como um foguete?), até hoje com a crise política e econômica. Nos últimos meses, os assuntos domésticos têm sido relatados praticamente toda semana na publicação inglesa, mas parece que o Brasil está começando a chamar atenção da própria população.

Em jogo realizado na última quinta-feira (7) na Alemanha contra o Borussia Dortmund, dois torcedores do Liverpool levaram uma bandeira em apoio à presidente Dilma Rousseff. O cantor Peter Hooton, da banda The Farm, da Inglaterra, postou no Twitter uma foto do cartaz levado por dois torcedores contra o impeachment da petista.

Na imagem, o icônico futebolista brasileiro Sócrates aparece na imagem com uma faixa na testa que diz “democracia”. O cartaz diz: “Sem golpe no Brasil”. Sócrates foi atuante, na década de 1980, na campanha Diretas Já e foi um dos membros fundadores do movimento Democracia Corinthiana.

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Apesar destes torcedores defenderem o governo, na edição desta semana, a Economist mais uma vez falou na saída da presidente. De acordo com a publicação, o processo de impeachment em curso hoje no Brasil não é um golpe de Estado, mas também não representa a melhor solução para o país, que seria uma eleição geral capaz de renovar também o Congresso.

“A próxima vez que os brasileiros forem às ruas, é isso (novas eleições gerais) que deveriam exigir”, é a conclusão da revista britânica. No texto intitulado “Quando um ‘golpe’ não é um golpe”, a publicação diz que classificar o processo contra a presidente Dilma como golpe é um “argumento emocional” que reflete uma “visão seletiva da democracia”.

A revista diz que não há evidências de que Dilma seja “pessoalmente corrupta” e lembra que “diferentemente de seu principal acusador, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, nem ela nem sua família possuem contas na Suíça ou empresas panamenhas em paraísos fiscais”. Apesar disso, a publicação diz que a denúncia de um suposto golpe reflete uma prática que se tornou “parte do kit de propaganda da esquerda”, comum a governos como os de Nicolás Maduro (Venezuela) e Evo Morales (Bolívia).

“Um golpe envolve a tomada do poder por meio do uso inconstitucional de ameaça ou força por um pequeno grupo. Esse não é o caso no Brasil. Quaisquer que sejam seus ocasionais desvios, a investigação de corrupção (Lava Jato) é tocada por procuradores e juízes independentes”, conclui a publicação.