Tombini enfatiza ações convencionais para conter pressão inflacionária

Presidente do BC dá atenção especial ao setor varejista mas reconhece importância do cenário externo

SÃO PAULO – O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta terça-feira (22) que “a partir do segundo trimestre, a inflação mensal tende a se deslocar para níveis compatíveis com o centro da meta de inflação”, dando sinais de que o ciclo de elevação da taxa Selic pode estar próximo do fim, conforme preveem alguns analistas.

Sem dar muita ênfase a medidas macroprudenciais, o economista reconheceu que frente ao cenário atual cabem ações convencionáis para conter a pressão inflacionária, que para ele é oriunda tanto do mercado doméstico quanto do ambiente externo. As afirmações fazem parte de discurso realizado em sessão da comissão de assuntos econômicos do Senado.

Varejo na mira
No front interno, Tombini destacou a importância do setor varejista e de sua conexão com o mercado de trabalho, uma vez que em diversas atividades a escassez de mão de obra tem provocado a expansão em excesso da massa salarial, adicionando “pressão na dinâmica dos preços”.

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“É importante suavizar o ritmo de crescimento da demanda, para que sejam contidas pressões sobre os preços”, crivou o Alexandre Tombini, que reafirmou a necessidade de moderação da atividade econômica.

Além disso, o forte ritmo de crescimento dos últimos anos provocou “desequilíbrios, com a produção doméstica não sendo capaz de se expandir no mesmo ritmo que a demanda interna”, avaliou o economista, mas por sorte o País pôde contar com a oferta externa para aliviar o descompasso.

Cenário internacional conturbado
Entretanto, o mundo não apresenta o mesmo ritmo de crescimento da economia brasileira, principalmente frente a um momento de incertezas, contemplado pela crise fiscal na Zona do Euro, pressão inflacionária na China, conflitos políticos no Oriente Médio e Norte da África e a recente catástrofe no Japão.

Commodities e a inflação importada
Dentre os fatores de influência para a pressão inflacionária externa, além do alta recente do petróleo, o presidente do BC destacou a importância das commodities agrícolas.

Para ele, a combinação de crescimento da demanda nas economias emergentes, problemas climáticos, especulação e aumento da liquidez financeira global gerado por planos de flexibilização quantitativa são os principais responsáveis pela trajetória ascendente dos preços.

Como consequência, “as economias emergentes, notadamente, são as mais afetadas, uma vez que os alimentos têm peso mais elevado nas suas cestas de consumo e se encontram em posição de expansão no ciclo econômico”, apontou Tombini em reunião com a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, que por fim reafirmou sua confiança na recondução da inflação para o centro da meta.