Política

Tom de Mandetta gera incômodo entre ala militar e reduz apoio do ministro no governo

Para militares, ao falar que pessoas não sabem se escutam ele ou o presidente, ministro reacende tensão da semana passada

Luiz Henrique Mandett
(Marcos Corrêa/PR)
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SÃO PAULO – O tom adotado pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em entrevista concedida ao programa Fantástico, da TV Globo, no último domingo (13), gerou incômodo entre membros da ala militar do governo.

O grupo, que ganhou força em meio à crise do novo coronavírus, foi fundamental na manutenção do ministro no cargo na semana passada, quando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deu sinais de que poderia escolher outro nome para comandar a pasta, diante de divergências com o subordinado.

Na entrevista de ontem, Mandetta disse que o brasileiro não sabe se escuta ele ou o presidente sobre como se comportar durante a crise e pediu um discurso unificado no enfrentamento à pandemia.

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O ministro também criticou aglomerações em padarias e alertou que os meses de maio e junho serão os mais duros para o sistema de saúde brasileiro.

Conforme noticia o jornal Folha de S.Paulo, para militares do governo, Mandetta fez um confronto público com Bolsonaro, desobedeceu a hierarquia do cargo e reacendeu um conflito que vinha esfriando graças à intervenção dos militares – sobretudo dos ministros Walter Braga Netto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Jorge Oliveira (Secretaria-Geral).

Os militares recuperaram influência sobre o governo no início deste ano, quando o Palácio do Planalto passou a ser ocupado exclusivamente por ministros com trajetória nas Forças Armadas. O movimento também coincidiu com as crescentes dificuldades de Bolsonaro em lidar com o Congresso Nacional, com governadores e diante de derrotas sofridas no Supremo Tribunal Federal.

As críticas deste grupo podem colocar o ministro novamente em posição desconfortável no governo, embora os obstáculos à sua saída do cargo permaneçam: 1) o contexto de pandemia. Neste caso, uma demissão poderia trazer elevado nível de desorganização para pasta, principalmente a depender de quais quadros poderiam acompanhar Mandetta no movimento; 2) a elevada popularidade conquistada pelo ministro no combate à doença.

Nesta segunda-feira (13), porém, Bolsonaro evitou dar uma resposta pública ao seu ministro. Perguntado, em frente ao Palácio da Alvorada, sobre a entrevista, o presidente preferiu dizer que não assiste à Rede Globo.