Ministro do STF

Toffoli traça paralelo com militares e questiona: “é o sistema judicial que vai salvar a nação brasileira?”

Segundo ministro do STF, a Justiça corre o risco de "cometer o mesmo erro que os militares cometeram em 1964" se a política for criminalizada e o Judiciário "exagerar no ativismo"

SÃO PAULO – O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli fez críticas contudentes ao papel do Judiciário atualmente em evento sobre direito tributário em Belo Horizonte. As informações são do jornal Folha de S. Paulo e do Valor Econômico.

Segundo ele, a Justiça corre o risco de “cometer o mesmo erro que os militares cometeram em 1964” se a política for criminalizada e o Judiciário “exagerar no ativismo”.

“Se criminalizar a política e achar que o sistema judicial vai solucionar os problemas da nação brasileira, com moralismos, com pessoas batendo palma para doido dançar e destruindo a nação brasileira e a classe política…. É o sistema judicial que vai salvar a nação brasileira? Vamos cometer o mesmo erro que os militares em 1964 querendo se achar donos do poder”, afirmou.

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“Com o desgaste dos militares, porque eles deixaram de ter autoridade moral de ser o poder moderador das crises da federação brasileira, quem acaba por assumir é o Poder Judiciário”, afirmou. Toffoli aponta ainda que, se exagerar no ativismo, o Judiciário terá o  mesmo desgaste que tiveram os militares.

“Se criminalizar a política e achar que o sistema judicial vai solucionar os problemas da nação brasileira, com moralismos, com pessoas batendo palma para doido dançar e destruindo a nação brasileira e a classe política… É o sistema judicial que vai salvar a nação brasileira?”, questionou.

Toffoli não criticou diretamente a operação Lava Jato ou outra grande operação da PF, mas fez críticas em relação às autorizações judiciais. “Se começarmos a fazer operações que tem 150 mandados de busca e apreensão num único dia… Vamos levar a um totalitarismo do judiciário e do sistema judicial. Isso é democracia? Isso é Estado Democrático de direito?”.