Lava Jato

Tida como a “mais devastadora” da Lava Jato, delação da Odebrecht está perto de acontecer

A Odebrecht informou aos procuradores da Lava Jato  que está avançando bem no processo de recuperação dos arquivos digitais; força-tarefa está adotando linha-dura com a empreiteira

SÃO PAULO – A Odebrecht, diz o jornal O Globo, saiu na frente da OAS e está prestes a fechar acordo de delação premiada de seus executivos, entre eles o ex-presidente Marcelo Odebrecht, com o Ministério Público Federal. A publicação afirma que o acordo, porém, depende de acertos finais, entre eles a recuperação e apresentação pela empreiteira contendo provas do pagamento de propina a políticos e autoridades.

A Odebrecht informou aos procuradores da Lava Jato  que está avançando bem no processo de recuperação dos arquivos digitais, que pertenciam ao chamado Setor de Operações Estruturadas, que funcionava como uma espécie de departamento exclusivo de pagamento de propina. A recuperação dos documentos contábeis e da movimentação financeira do Setor é vista como fundamental para o acordo. 

As revelações a serem feitas pela Odebrecht são tidas como as mais devastadoras a serem obtidas através de acordo de delação nos dois anos de Lava-Jato.  Segundo o jornal, a empreiteira deu na última quinzena o passo mais importante rumo à colaboração: os investigadores da Lava-Jato aceitaram os anexos (com os assuntos a serem delatados) apresentados pela Odebrecht. Com isso, a força-tarefa já sabe os crimes e os criminosos que podem ser revelados pelos funcionários da empreiteira. Porém, os procuradores ligados às negociações já deixaram claro que, sem as provas concretas sobre as novas denúncias, não aceitarão o acordo com a empreiteira.

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E, conforme destaca a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, diversos delatores da empresa tiveram suas propostas de colaboração premiada recusadas, uma vez que os investigadores reclamam que os anexos são superficiais. Eles dão o recado: “quem não entregar o ouro não levará o benefício”. A coluna destaca que a demora em fechar os acordos prolonga a estadia dos executivos em Curitiba e dificulta a vida da empresa, que vende ativos para reduzir dívidas e afastar o risco de recuperação judicial.