NO CENTRO DA CRISE

The Economist declara: irmãos Batista são “os açougueiros que podem acabar com a presidência de Temer”

Revista britânica destaca influência do BNDES no crescimento da JBS e como Joesley e Wesley construíram um império atuando politicamente

SÃO PAULO – Nos últimos tempos, em especial este ano, a JBS (JBSS3) passou a figurar muito mais nas páginas policiais dos jornais em meio a tantos escândalos, do que nas sessões de finanças, relembrando o tempo que foi criado “o maior grupo privado não financeiro do país”, patente cunhada pela holding J&F Investimentos em sua página oficial. E a última “bomba” foi derradeira para ganhar a atenção da revista The Economist.

Na edição desta semana, a publicação reserva dois artigos sobre a crise política brasileira. O primeiro analisa o “juízo final” de Michel Temer após as delações dos irmãos Batista, que são tema do segundo texto.

Logo no subtítulo, a revista descreve Joesley e Wesley Batista como “os açougueiros que podem acabar com a presidência de Michel Temer”. Em seguida, traça um paralelo entre José Batista Sobrinho e os filhos mais novos. Em 1957, José Batista “ajudou a alimentar os trabalhadores na construção da capital brasileira” e agora os irmãos empresários estão levando Brasília abaixo.

PUBLICIDADE

A publicação destaca também o exponencial crescimento dos negócios da empresa, que se transformou na maior exportadora de carne do mundo. Em 2006, o lucro anual era de US$ 1,8 bilhão, ao passo que no ano passado saltou para US$ 170 bilhões, impulsionado pelo crescimento chinês e pelo “entusiasmo” do governo brasileiro com a JBS.

Criando um “monstro”

Entre 2007 até 2015, durante boa parte da gestão do PT, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), segundo a revista, injetou mais de R$ 8 bilhões na JBS — cuja sigla é uma homenagem para José Batista Sobrinho. Grande parte desse capital foi utilizado para comprar rivais, incluindo as norte-americanas Swift e Pilgrim’s Pride, enquanto a holding J&F ampliava sua gama de negócios, que hoje conta com Vigor (derivado de leite), Alpargatas (calçado e vestuário), Eldorado Brasil (celulose), Flora (produtos de higiene e limpeza) e Banco Original (serviços financeiros).

Porém, no mesmo ritmo que sua fatia de mercado crescia, “os Batista compravam os políticos”. Conforme apurou a The Economist, as doações de campanha saltaram de US$ 20 milhões em 2006 para US$ 400 milhões nas eleições de 2014, maior volume entre qualquer empresa privada. Na última década, os irmãos financiaram 1.829 candidatos e “sua generosidade ajudou a eleger um terço do atual Congresso”, lembra a revista. Mas nada disso foi de graça.

Segundo o periódico, os Batista confessaram que quase todo o dinheiro declarado para as campanhas, além da soma de “caixa dois”, era para subornar políticos em troca de interesses da J&F Investimentos. E por conta da delação “super-premiada”, os dois estão soltos e vivendo nos Estados Unidos, mas “ainda podem ser punidos” já que enfrentam ações judiciais nos Estados Unidos e no Brasil.