Entrevista ao Estadão

Temer tece elogios a Alckmin, prefere Meirelles na Fazenda e diz que Maia “não tem nada a perder”

Em entrevista ao Estadão, o presidente traçou um cenário sobre o que pensa dos nomes do centro e ainda rebate notícias sobre o seu estado de saúde: "estou ótimo. Embora toda hora alguém queira me matar"

SÃO PAULO – Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo publicada nesta quinta-feira (11), o presidente Michel Temer afirmou acreditar que o eleitor brasileiro vai votar na “segurança e na serenidade” em outubro: “as pessoas estão cansadas de tudo isso (a confluência de crises) e vão querer a continuidade, a manutenção do nosso programa de governo, que está recuperando a economia e a tranquilidade. Ninguém quer aventura”.

Ele disse ainda que prefere a permanência do ministro Henrique Meirelles à frente da Fazenda à sua saída do cargo para disputar a Presidência. Contudo, apontou que Meirelles (PSD) seria “um grande presidente”.

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Para Temer, o também cotado à Presidência deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) tende a disputar a reeleição como presidente da Câmara em vez de se lançar candidato presidencial.  “O Rodrigo está se movimentando muito, mas ainda acho que a prioridade dele é se reeleger para a Presidência da Câmara, que é um cargo excepcional. De qualquer forma, ele não tem nada a perder, só a ganhar. E é aquela história, ‘se colar, colou’”, disse ele, enfatizando que não tem candidato.

Enquanto isso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), preenche os requisitos de “segurança e serenidade” que serão buscados pelos eleitores.   Quanto à falta de apoio do governador nos piores momentos do presidente, nas duas denúncias do ex-procurador-geral Rodrigo Janot, Temer relevou: “Não sei exatamente porque, mas nunca fui rancoroso. Ele (Alckmin) deve ter tido os motivos dele, e isso passou”.

O presidente também falou de uma forma irônica sobre as visões pessimistas sobre a sua saúde. “Passei por três cirurgias, tive infecção no fim do ano e nem pude passar quatro dias na praia, como gostaria, mas estou ótimo. Embora toda hora alguém queira me matar. Uns por vontade mesmo, outros por desinformação”.

Ele ainda destacou os seus planos para o último ano de mandato. Além de aprovar a reforma da Previdência, “continuar com as medidas que tomamos para recuperar o País, não só no Congresso, mas também por decisões administrativas”. No fim, o sonho de amenizar o “presidencialismo de coalizão”, que deixa os presidentes reféns de partidos e de pressões populistas. A forma será um projeto de “semipresidencialismo”, mas “isso fica para adiante”.  

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Temer também afirmou que a Operação Lava Jato “praticamente esgotou o que tinha de fazer” e elogiou a decisão do diretor da Polícia Federal, Fernando Segovia, de concluir até dezembro as investigações sobre políticos com foro no STF (Supremo Tribunal Federal): “Isso é ótimo. Tira o peso das pessoas”.