Manobra política

Temer nomeou ministro para que escapasse das investigações da Lava Jato, aponta MPF

Em fevereiro, presidente criou pasta para abrigar seu partidário e gerou muita polêmica

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SÃO PAULO – Em parecer protocolado nesta quarta-feira (26), o MPF (Ministério Público Federal), através da Procuradoria da República do Amapá, defendeu o afastamento do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco (PMDB). De acordo com o texto, a manobra política orquestrada por Michel Temer tinha como objetivo livrar seu partidário das investigações da Lava Jato.

“É claramente ilícito. Há obstrução à justiça, tendo em vista o seu intuito único de alterar o foro competente para a condução das investigações dos fatos referentes à Operação Lava Jato, além do processamento de eventual denúncia criminal”, revela o parecer do MPF.

O documento foi anexado à ação popular de Randolfe Rodrigues (Rede-AP) protocolada em 3 de fevereiro, quando ajuizou na Justiça Federal do Amapá o pedido de suspensão da posse de Moreira Franco como ministro da Secretaria-Geral da Presidência, pasta que foi criada por Temer naquela sexta-feira. Antes, Moreira Franco ocupava o cargo de secretário-executivo do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos).

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Em sua argumentação, o senador, que é líder da Rede no Senado, acusou que a nomeação foi “um artifício ilícito e uma ofensa ao princípio da moralidade e obstrução à Justiça, já que Moreira Franco é investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público”. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência foi citado na delação de Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, qual afirmou que peemedebistas pediam “pagamentos” em troca de apoio a projetos de interesse da construtora.