Política

Temer na articulação política pode reduzir desgaste com o Congresso, avalia consultoria

Assim, enquanto Joaquim Levy comanda a área econômica, Temer comandará a coordenação política, que poderá reduzir o desgaste da presidente nas negociações com o Congresso, ressalta a LCA Consultores

SÃO PAULO – Após recusa de Eliseu Padilha para assumir a Secretaria de Relações Institucionais, a presidente Dilma Rousseff transferiu as atribuições da articulação política de seu governo para o atual vice-presidente Michel Temer. O anúncio foi feito na noite da última terça-feira (7).

Apesar das polêmicas com relação à decisão de Dilma ter transferido a coordenação política para Temer sem a consulta do PMDB ter irritado o partido aliado, também há a expectativa de que haja uma melhora das relações com o Congresso, conforme destaca a LCA Consultores. 

“Temer, que também é presidente do PMDB, coordenará as ações políticas do governo. Desta forma, Dilma poderá ter mais um ministro forte em seu governo”, afirma a consultoria.

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Assim, enquanto Joaquim Levy comanda a área econômica, Temer comandará a coordenação política, que poderá reduzir o desgaste da presidente nas negociações com o Congresso, diz a LCA.

Mas isso não quer Temer enfrentará desafios importantes no governo e no Congresso. No governo, terá de garantir o seu espaço junto a Aloizio Mercadante e Miguel Rossetto, homens de confiança de Dilma. Um grande teste de Temer será o seu papel no preenchimento dos cargos do segundo escalão do governo.

No Congresso, onde já foi algumas vezes presidente da Câmara, Temer terá que negociar com os seus presidentes, Eduardo Cunha e Renan Calheiros.

“Como todos sabem, Calheiros e Cunha têm mantido uma posição independente do governo, pois controlam a agenda parlamentar e têm infligindo derrotas importantes ao Palácio do Planalto. Fica a dúvida se com Temer na coordenação política essa atitude será mantida ou amainada”, afirmam os analistas.

“A vantagem de Temer é que ele possui um canal de aberto de negociação com Cunha e Calheiros, o que não acontecia com Pepe Vargas e Mercadante. Um teste importante para Temer será as votações do ajuste fiscal”, conclui a consultoria.