Fortes críticas

Temer foi “leviano, inconsequente e calunioso” ao fazer insinuações contra Janot, diz procurador da Lava Jato

"Se Temer confia tanto na ausência de provas, que se deixe julgar pelo STF", afirmou Carlos Fernandes dos Santos Lima

SÃO PAULO – Em defesa de Rodrigo Janot, que apresentou denúncia contra Michel Temer pelo crime de corrupção passiva na última segunda-feira (26), Carlos Fernandes dos Santos Lima, procurador da força-tarefa da Lava Jato, afirmou que o presidente foi “leviano, inconsequente e calunioso” ao insinuar, em seu pronunciamento de terça-feira (27), que Janot teria recebido valor indiretamente de Marcelo Miller, ex-procurador que deixo o cargo para trabalhar em empresa especializada em firmar acordos de delação premiada.

“Temer foi leviano, inconsequente e calunioso ao insinuar recebimento de valores por parte do PGR. Já vi muitas vezes a tática de “acusar o acusador”. Lula faz isso direto conosco”, afirmou o procurador através de um texto no Facebook, que confia na “integridade e espírito público de Rodrigo Janot”.

“A denúncia contra Temer descreve um fato criminoso, corrupção passiva, de modo adequado e suficiente e está suportada por uma quantidade de provas e evidências poucas vezes vista em casos dessa natureza”, rebate Carlos Fernandes o que Michel Temer chamou de “infâmia” e “obra de ficção”.

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Para o procurador, o presidente está criando uma “cortina de fumaça” para atrapalhar o trabalho de Janot, estratégia, que segundo Carlos Fernandes, prova que o presidente é incapaz de se defender dos fatos e busca enganar a população: “do jeito que vai tocar esse País é capaz de atuais acusados pela Lava Jato, também não qualificados para o cargo, consigam apoio da sociedade para voltar para a Presidência”.

“Se Temer confia tanto na ausência de provas, que se deixe julgar pelo STF. Que a Câmara dos Deputados não se torne um sepulcro caiado”, finalizou o procurador da força-tarefa da Lava Jato.