1ª viagem internacional

Temer e Meirelles na China: o 1º passo para a busca de R$ 269 bilhões em investimentos

Em sua primeira viagem internacional como presidente, Temer foca na busca por investimentos chineses no Brasil; Meirelles destaca confiança no País

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SÃO PAULO – O agora presidente Michel Temer mal chegou à China e já enfrentou uma agenda agitada, em conjunto com o ministro da Fazenda Henrique Meirelles. 

Temer destacou que a  atração de investimentos chineses para projetos de infraestrutura no Brasil é um dos pontos centrais da visita ao país, a primeira viagem internacional do presidente. Meirelles destacou que os investimentos previstos em infraestrutura somam R$ 269 bilhões até 2019. 

Em reunião em Hangzhou com o presidente da China, Xi Jinping, informa a BBC Brasil, Temer falou sobre as reformas que pretende realizar no País para promover o ajuste fiscal, destacando também as oportunidades de investimento no plano de concessões que está sendo elaborado para a infraestrutura.

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A BBC Brasil destacou a prioridade de Temer para três temas: i) fechamento do acordo de venda de três aeronaves da Embraer para a China, além de acertar a promessa de venda de mais 20; ii) solicitar que a China habilite mais frigoríficos brasileiros a vender carne para o gigante asiático e iii) pedir maior agilidade para que a China autorize a importação de soja no Brasil com novas sementes transgênicas. 

Confiança 
Mas o maior objetivo de Temer com a viagem – no domingo, ele participa da reunião do G-20 -, é passar a mensagem de que o período de instabilidade política no Brasil foi superado e que seu governo está tomando as medidas necessárias para ajustar a economia e dar segurança aos que coloquem capital em grandes projetos de infraestrutura, ressalta o jornal O Estado de S. Paulo.

Temer destacou, em discurso otimista no Seminário Brasil-China realizado em Xangai (antes do encontro com Jinping), que o o atual governo “tem feito um esforço extraordinário” para que haja recuperação da confiança no Brasil. 

O evento, que reuniu cerca de 100 empresários brasileiros e 250 chineses, já resultou em alguns anúncios de investimentos. A CBSteel oficializou um acordo de US$ 3 bilhões (R$ 9,75 bilhões) para siderurgia no Maranhão. A China Communications Construction Company (CCCC) informou um aporte de US$ 460 milhões (R$ 1,5 bilhão) em um terminal multicargas em São Luís (MA). A Hunan Dakang disse que investirá US$ 1 bilhão (R$ 3,25 bilhões) em agricultura no Brasil. E a Embraer fechou a venda de pelo menos 4 aviões para dois grupos chineses.

“Bem sei que a crise econômica que começamos a superar não é menor”, afirmou Temer. “Ao contrário, foi a maior recessão econômica dos últimos tempos. Porém, aqui também a sabedoria confuciana nos oferece a melhor lição: ‘A glória não está em nunca cair, mas em sempre levantar'”, citou Temer. “Eu queria dizer que o Brasil nos últimos tempos se levantou e se superou em toda e qualquer crise que se esboçava no horizonte. Por isso, convido todos os investidores para a construção desse novo Brasil”, disse.

Para convencer os empresários chineses a investir no País, Temer prometeu ter um governo amigável aos negócios. “No governo brasileiro, as senhoras e senhores sempre encontrarão um aliado que compreende a importância do setor privado para a economia nacional, que zela pela saúde financeira do País, que compreende o interesse público e que o setor privado depende de regras adequadas e previsíveis.”

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Ele ainda afirmou que o novo governo conseguiu avançar mesmo no período de interinidade. “Os últimos 120 dias, sabem todos, foram de transformações em nosso País. Mas, mesmo em um período de interinidade, pudemos avançar. As expectativas dos agentes dos econômicos melhoraram, a confiança foi restabelecida e os indicadores começaram a se recuperar”, disse.

Porém, Temer não quis comemorar, citando Confúcio:  “Confúcio escreveu que o homem correto faz antes de falar. E apenas depois fala de acordo com aquilo que fez”, disse. “Sinto-me muito à vontade de lhes falar sobre o futuro do Brasil porque as bases deste futuro já foram lançadas. E foi isso que vocês puderam testemunhar neste seminário”.

Causas da recessão revertidas
Já Meirelles afirmou que o fim do julgamento do impeachment reforça o processo de reversão das condições que levaram o Brasil para a recessão. “A boa notícia é que as causas de tudo isso (do período recessivo) foram revertidas”. 

O ministro da Fazenda comentou ainda durante palestra que o processo de deterioração da economia brasileira ao longo dos últimos trimestres tornou-se agudo à medida que os agentes econômicos entenderam que “aquele governo (de Dilma Rousseff) não se sustentaria”.

O ministro comentou que, com a chegada do governo Temer, medidas foram anunciadas e as condições que levaram a economia para a recessão começaram a ser revertidas. “O novo governo assumiu de forma totalmente democrática, em um processo presidido pelo Supremo e dentro das normas constitucionais. Isso fez com que a confiança dos agentes econômicos passasse a ser retomada rapidamente”.

Ele ainda destacou que o novo governo tem cinco compromissos principais na economia, disse o ministro. “O primeiro é com o cenário macroeconômico estável. O grande primeiro movimento é assegurar a estabilidade da economia brasileira, começando por restaurar o equilíbrio das contas públicas”, disse. Em seguida, outro compromisso é reduzir o tamanho do Estado, já que a máquina pública passou a exigir cada vez mais recursos, ao mesmo tempo em que houve aumento da ociosidade.

Em terceiro na lista de compromissos da equipe econômica de Michel Temer, está a implantação das reformas estruturais. Em seguida, também estão listados o reforço do papel das agências regulatórias e a criação de um ambiente de negócios mais amigável.

No esforço de convencimento para que chineses aloquem mais recursos no Brasil, o ministro da Fazenda afirmou que há perspectiva de até US$ 269 bilhões em investimentos na economia brasileira entre 2016 e 2019. Entre os segmentos, estão petróleo e gás, energia, ferrovias, telecomunicações, estradas, saneamento, aeroportos e mobilidade urbana. Para o ministro, o Brasil tem uma grande vantagem que é não contar com conflitos “políticos e religiosos”.

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Meirelles frisou que, ao contrário de outros países emergentes e muitas das economias desenvolvidas, o Brasil continua com demanda por serviços melhores. Isso gera um grande mercado para novas infraestruturas e evita algumas cenas como ferrovias subutilizadas ou aeroportos sem voos. 

O ministro citou nominalmente cinco grandes condições que oferecem oportunidades ao investidor: 1) mercado grande e em expansão de bens e serviços; 2) oportunidades enormes em infraestrutura; 3) exploração de mineração; 4) exploração de petróleo e gás; e 5) expansão da área cultivada agrícola.

No discurso para tentar convencer mais chineses a investir no Brasil, Meirelles resumiu o Brasil como “país seguro e estável”. “Não há conflito políticos e religiosos. Agora, tivemos mudança em paz dentro das regras da Constituição.” 

(Com Agência Estado)