Mariz de Oliveira

Temer descarta nome de “favorito” para a Justiça após crítica a delações, diz Folha

De acordo com assessores ouvidos pelo jornal, Temer considerou muito "ruim" e "errática" a entrevista de Antonio Claudio Mariz de Oliveira

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SÃO PAULO – Ao tomar conhecimento das entrevistas concedidas por Antonio Claudio Mariz de Oliveira, o vice-presidente Michel Temer descartou o nome do criminalista como ministro da Justiça, informa a Folha de S. Paulo. De acordo com assessores ouvidos pelo jornal, Temer considerou muito “ruim” e “errática” a entrevista de Mariz em que ele fala praticamente como ministro. Mariz critica o mecanismo das delações premiadas e diz que a Polícia Federal precisa ter outros focos além do combate à corrupção. Segundo Temer, a declaração é ruim neste momento  porque dá munição aos que tentam acusá-lo de desejar parar a Operação Lava Jato.

Os investigadores da Operação Lava Jato criticaram a possível nomeação do criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira, que era tido como favorito.  Mariz foi um dos 105 advogados que, em janeiro, assinou um manifesto em que comparou a Operação à Inquisição e à ditadura militar, destacou a Folha de S. Paulo

Ao jornal, Mariz confirmou  ter conversado com o vice sobre a possibilidade de ocupar o cargo. “Falamos sim, de um modo geral. Ele perguntou alguma coisa, eu disse o que achava”. Mariz é advogado do empresário Lúcio Bolonha Funaro, suspeito de ter pago despesas do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e foi responsável pela defesa do ex-vice-presidente da Camargo Corrêa Eduardo Leite. 

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Ao Estadão, ele assegura que não interferiria na atuação da Polícia Federal e diz que a Lava Jato não acabaria. “Não vejo nenhuma possibilidade de qualquer tipo de interferência do Executivo na Lava Jato. Acho até uma irracionalidade acreditar que o presidente da República ou o ministro da Justiça possam interferir no andamento da Lava Jato.” 

Para a Folha, o criminalista manteve as suas críticas ao instrumento da delação premiada, cerne da Lava Jato. “Sou contra a delação nesses termos e, especialmente, a delação do preso. Quem está detido não tem vontade, a vontade é sair da cadeia. A lei fala efetividade e voluntariedade [do acusado]”, disse. “Na tortura, fala-se mais depressa porque a pessoa está apanhando, mas fala. Na delação, demora mais um pouco, mas acaba falando também. Não fala o Marcelo Odebrecht, que é uma coisa excepcional”, criticou. 

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