Déficit maior ou menor?

Temer autoriza o que Meirelles quer, mas coloca ministro em uma encruzilhada, diz jornal

Segundo o jornal O Globo, Michel Temer autorizou meta de R$ 159 bilhões, mas sem propor aumento de impostos; Meirelles afirmou que não há nada definido ainda

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SÃO PAULO – Em meio a tantas notícias sobre a iminente revisão da meta fiscal, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles deu declarações nesta terça-feira tentando dissipar os rumores e incertezas, apontando que ainda não há nada definido no momento, incluindo a notícia de déficit de R$ 159 bilhões. Porém, ele destacou não ser necessária uma meta de déficit de R$ 170 bilhões ou R$ 175 bilhões, que é o que a ala política do governo Michel Temer defende. 

Nesta linha, o jornal O Globo informa que, depois de uma disputa interna no governo em torno das metas fiscais deste ano e do ano que vem, o presidente colocou Meirelles numa encruzilhada. Segundo a publicação, o rombo das contas públicas poderá subir para R$ 159 bilhões, como queria Meirelles, mas as contas terão de ser fechadas sem alta de impostos e sem a receita esperada com o novo Refis (programa de renegociação de dívidas tributárias).

Assim, com essa missão quase impossível nas mãos, Meirelles e o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, voltaram a suas equipes na noite de segunda-feira para refazer contas e entregá-las ao Palácio do Planalto nesta terça.

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O jornal destaca que Temer sofreu pressões da ala política do governo e do próprio Congresso, que queriam ver o déficit primário ser elevado para R$ 170 bilhões em 2017 e 2018. Isso porque, às vésperas do ano eleitoral, não se quer ouvir falar em aumento de carga tributária e precisa liberar recursos para mais despesas. Meirelles, no entanto, insistiu para o Planalto que elevar as metas de 2017 (hoje um déficit primário de R$ 139 bilhões) e 2018 (hoje em R$ 129 bilhões) para R$ 159 bilhões seria a melhor saída aos olhos do mercado financeiro.