Análise

Temer adota estratégia de alto risco para sobreviver como presidente

Conviver com o fantasma de uma denúncia rondando o Palácio do Planalto seria um grande risco para a sustentação do governo

arrow_forwardMais sobre
Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – Quando se deu conta de que não teria força suficiente para abrir a sessão e derrubar a denúncia de Rodrigo Janot no plenário da Câmara dos Deputados antes do recesso parlamentar, o governo mudou o discurso e jogou para a oposição a responsabilidade de formar quórum e levar o texto para votação. Este deve ser o último grande ato antes da pausa nas atividades do Legislativo.

Conforme têm sustentado aliados de Michel Temer, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), determinou que a sessão só seria aberta com no mínimo 342 deputados, cabe aos adversários do peemedebista a missão de convocar os parlamentares e conquistar o apoio dos dois terços necessários, e, assim, encaminhar ao Supremo Tribunal Federal autorização para que o presidente se torne réu.

A estratégia mudou, mas o risco é grande. Com a possibilidade de fatos novos (que vão desde uma delação do ex-deputado Eduardo Cunha até a apresentação da segunda denúncia pela Procuradoria-Geral da República) trazerem ainda mais instabilidade, o jogo do presidente pode ser prejudicado.

Aprenda a investir na bolsa

Não conseguir mobilizar seus combatentes e derrubar a denúncia em 2 de agosto pode ser um significativo sinal de fraqueza do presidente, mesmo que isso possibilite a votação conjunta em plenário de todas as peças apresentadas por Janot. Conviver com esse fantasma rondando o Palácio do Planalto seria um grande risco para a sustentação do governo.

Hoje, Temer tem o apoio necessário para derrubar a denúncia permanecer no cargo. Por isso, deve aproveitar sua condição e dissipar riscos maiores. Resta saber o poder de destruição de Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro e como se dará eventual dança nas cadeiras na Esplanada dos Ministérios, com a possibilidade de os tucanos perderem posições para membros do chamado “centrão”, mais fiéis ao governo na primeira etapa da guerra.