Telebrás volta às manchetes com acusações de lobby e uso indevido de informações

Ex-ministro José Dirceu teria recebido R$ 620 mil para difundir idéia de reativação da companhia; oposição estuda criar uma CPI

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SÃO PAULO – A Telebrás (TELB3, TELB4) voltou às manchetes nacionais nesta terça-feira (23), com as acusações de que o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, recebeu lobby de um grupo empresarial para difundir a ideia da reativação da companhia dentro do governo.

Após apresentarem expressiva queda durante o pregão, os papéis se recuperaram no final da sessão, fechando com leve queda de 0,38%, no caso das ações preferenciais, e retração de 1,57%, no caso das ordinárias, cotadas a R$ 2,61 e R$ 2,50, respectivamente.

De acordo com reportagem do jornal Folha de São Paulo, o ex-ministro e deputado cassado teria recebido pelo menos R$ 620 mil entre 2007 e 2009 do empresário Nelson dos Santos, que havia comprado em 2005 uma participação de 49% na Eletronet pelo valor simbólico de R$ 1. Principal pivô da discussão sobre a reativação da Telebrás, a subsidiária da estatal é dona de uma rede de 16 mil quilômetros de cabos de fibra óptica, estimada em R$ 800 milhões.

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“Exista ou não o Plano Nacional de Banda Larga e a reorganização da Telebrás, os credores, os proprietários da Eletronet e o governo federal terão que responder pelos passivos e ativos da Eletronet. E cada um poderá ser prejudicado ou beneficiado”, defendeu-se Dirceu em seu blog.

CPI
Por sua vez, o deputado Paulo Bornhausen, líder do Democratas na Câmara, defendeu a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar o caso. “É a volta dos que não foram. Ele foi, é e continuará sendo ‘o cara’ (no Partido dos Trabalhadores). É o pai do mensalão, que está vivo. Lula e Dilma defenderam com unhas e dentes a volta da Telebrás, temos que investigar como as ações valorizaram, em dois anos, 35 mil por cento. E temos que pegar na CVM quem são esses acionistas tão sortudos”, disse o deputado.

Vale lembrar que membros do governo já vinham sendo acusados de uso de informações privilegiadas para se beneficiar da valorização das ações na bolsa de valores, o que motivou investigações da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Decisão
Paralelamente, o coordenador dos estudos para a implantação do Plano Nacional de Banda Larga, Cesar Alvarez, revelou durante esta terça-feira que o governo irá finalizar o projeto até abril e que a reativação da empresa ainda não está decidida, apesar das declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Questionado sobre a investigação da CVM, Alvarez declarou que “não é segredo que o governo tenta usar suas redes como elemento ‘ofertador’ e regulador do mercado. Se vai ser através desta ou daquela empresa, tem estudos que mostram que a Telebrás é a empresa com maior possibilidade, que acumula as melhores condições para exercer a gestão”.

Sobre a possibilidade de instauração de uma CPI para apurar o caso, ele foi irônico. “Só espero que não seja mais um elemento para fugir da discussão da necessidade que o Brasil tem da banda larga ou para fugir dos problemas que esse próprio partido tem em outras searas”, disse Alvarez, numa referência ao problemas enfrentados pelo partido do deputado Paulo Bornhausen no Distrito Federal.

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