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TCU deve bloquear bens de Graça Foster hoje; confira mais sobre CPI da Petrobras

A atual presidente da Petrobras deve participar da relação de diretores e ex-diretores que teriam que devolver US$ 792 milhões à companhia

SÃO PAULO – As polêmicas sobre a Petrobras (PETR3;PETR4) continuam ganhando destaque no noticiário nacional. Em matéria desta manhã, o jornal O Globo destacou que o TCU (Tribunal de Contas da União) discutirá hoje se inclui a presidente da Petrobras, Graça Foster, na relação de responsáveis pelo prejuízo pela compra da refinaria de Pasadena, nos EUA.

O Tribunal também decidirá se aplicará a ela o bloqueio de bens determinado em relação aos outros diretores da estatal responsabilizados anteriormente. Segundo o jornal, a tendência é de inclusão de Graça na relação.

No final de julho, o TCU pediu o bloqueio dos bens do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, decidindo que ele e outros diretores teriam de devolver US$ 792 milhões para a companhia. Segundo o jornal, por erro do próprio TCU, Graça Foster acabou de fora da lista de responsáveis aprovada há duas semanas. A Petrobras já recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal), em nome de seus diretores e ex-diretores, mas o TCU argumentou que ela é fundamental para garantir o ressarcimento aos cofres públicos do prejuízo.

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CPI da Petrobras
A Folha de S. Paulo destacou em matéria que os assessores do Palácio do Planalto coordenaram a atuação da estatal e da liderança do PT no Senado durante as investigações da CPI para examinar os negócios da estatal. 

Segundo a Folha, o número 2 do ministro Ricardo Berzoini, chefe da Secretaria de Relações Institucionais do Planalto, Luiz Azevedo, foi escalado para fazer a interlocução com a empresa estatal e, assim, evitar que o trabalho da CPI atingisse a atual diretoria da estatal. O Planalto teria destacado ainda Paulo Argenta, outro assessor de Berzoini.

A pasta de Berzoini informou que faz parte de suas atribuições, “portanto dos servidores mencionados, acompanhar as atividades legislativas, inclusive as Comissões Parlamentares de Inquérito”.

A polêmica
No último final de semana, a revista Veja destacou um vídeo revelando que  a CPI foi criada com o objetivo de não pegar os corruptos. 

Ainda assim, o governo e a liderança do PT decidiram não correr riscos e montaram uma fraude que consistia em passar antes aos investigados as perguntas que lhes seriam feitas pelos senadores.

Com vinte minutos de duração, segundo a revista, o vídeo mostra uma reunião entre o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e um terceiro personagem ainda desconhecido.

A decupagem do vídeo, segundo a publicação, mostra que o encontro foi registrado por alguém que participava da reunião ou estava na sala enquanto ela ocorria.

A revista descobriu que a gravação foi feita com uma caneta dotada de uma microcâmera. Segundo a revista, a fraude consistia em obter dos parlamentares da CPI da Petrobras as perguntas que eles fariam aos investigados e, de posse delas, treiná-los para responder a elas.

Depois que o ex-presidente Lula mandou o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli parar de confrontar a presidente Dilma Rousseff, Cerveró se tornou o principal motivo de apreensão do governo porque ameaçara desmentir a presidente diante dos parlamentares.

Essa ameaça jamais se consumou. No vídeo, uma das falas de Barrocas desfaz o mistério: ele insiste em saber se estava tudo certo para que chegassem às mãos de Cerveró as perguntas que lhe seriam feitas na CPI.

Outros personagens citados como peças-chave da transação são Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República; Marco Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado; e Carlos Hetzel, assessor da liderança do PT.

De acordo com a denúncia, a eles coube fazer muitas das perguntas que alimentariam a cadeia de ilegalidades entre investigados e investigadores. Barrocas conta também que o senador Delcídio Amaral era peça-chave da operação para manter Cerveró sob o cabresto governista, porque o senador foi padrinho político do ex-diretor da Petrobras.

(Com Agência Estado)