Tarcísio perde tração, apesar de preferência de setores da direita, mostra AtlasIntel

Levantamentos mostram migração do eleitor bolsonarista para o senador, enquanto setores comerciais e aliados insistem no governador como alternativa presidencial

Marina Verenicz

Brasília (DF), 29/11/2024 - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante cerimônia para assinatura de contratos de financiamento do BNDES para infraestrutura e mobilidade urbana de São Paulo. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 29/11/2024 - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante cerimônia para assinatura de contratos de financiamento do BNDES para infraestrutura e mobilidade urbana de São Paulo. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciada em outubro, alterou de forma objetiva o equilíbrio interno da direita e reduziu o desempenho eleitoral do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nas pesquisas nacionais.

Os números mais recentes da AtlasIntel indicam que a entrada de Flávio reorganizou o eleitorado bolsonarista e diminuiu o espaço de crescimento de Tarcísio em cenários de primeiro turno.

Na simulação em que os dois disputam simultaneamente o campo conservador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 48,4% das intenções de voto. Flávio surge em segundo lugar, com 28%, enquanto Tarcísio fica com apenas 11%. A diferença interna de 17 pontos percentuais evidencia a assimetria na capacidade de herdar o eleitorado identificado diretamente com Jair Bolsonaro.

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O deslocamento do voto bolsonarista aparece de forma ainda mais clara entre eleitores que afirmam ter votado em Bolsonaro em 2022. Nesse grupo, 59,2% dizem que votariam em Flávio em 2026, contra apenas 21,1% que migrariam para Tarcísio no cenário de divisão da direita. O dado ajuda a explicar a perda de tração do governador paulista após outubro, quando Flávio passou a ser testado de forma recorrente como candidato competitivo.

Antes do anúncio da pré-candidatura do senador, Tarcísio figurava nas pesquisas como principal nome da direita fora do núcleo familiar do ex-presidente, com desempenho mais equilibrado e menor rejeição em segmentos de centro.

Com a entrada de Flávio, porém, o governador passou a registrar percentuais significativamente mais baixos nos cenários em que ambos aparecem, ficando distante do patamar necessário para disputar a liderança do campo conservador no primeiro turno.

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Apesar desse enfraquecimento nos números, Tarcísio segue sendo tratado como o nome preferido de setores relevantes da direita. Empresários, representantes do mercado financeiro e lideranças políticas do centro-direita continuam a pressionar o governador a manter uma candidatura presidencial. A avaliação predominante nesses grupos é de que Tarcísio tem maior capacidade de ampliar alianças, dialogar com o centro e reduzir rejeição em um eventual segundo turno.

Essa preferência se sustenta mesmo diante dos dados mais recentes, que indicam vantagem clara de Flávio dentro do eleitorado bolsonarista. Para esses setores, o desempenho mais fraco nas pesquisas seria consequência direta da fragmentação da direita e da ausência de uma definição clara sobre o apoio de Tarcísio a Flávio, e não de uma rejeição estrutural ao nome do governador.

O contraste entre pesquisas e bastidores reforça o impasse da direita para 2026. Enquanto os números mostram que a pré-candidatura de Flávio concentrou a herança eleitoral do bolsonarismo e reduziu a tração de Tarcísio, parte expressiva do establishment político e econômico segue apostando no governador como alternativa mais viável para enfrentar Lula em um cenário de maior unificação do campo conservador.

A pesquisa AtlasIntel ouviu 5.418 eleitores entre os dias 15 e 20 de janeiro. O levantamento tem margem de erro de um ponto percentual, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02804/2026.