Tarcísio fala em “epidemia” de crimes com motos e cobra endurecimento da lei

Governador e prefeito lançam sistema de câmeras para identificar placas adulteradas; casos recentes reacenderam debate sobre segurança

Marina Verenicz

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira (11) que o estado enfrenta uma “epidemia” de crimes cometidos por motociclistas.

A declaração foi dada ao lado do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), durante a entrega de 100 motocicletas equipadas com câmeras à Guarda Civil Metropolitana e à Polícia Militar.

Os equipamentos, integrados ao sistema Smart Sampa, conseguem ler placas de veículos, identificar adulterações ou sinalizar motos roubadas. Ao detectar irregularidades, o sistema emite um alerta e aciona a própria equipe que registrou a imagem, permitindo abordagem imediata.

“É gente que adultera placas. Se estabeleceu um comércio de bags [de aplicativos de entrega] e de armas, às vezes pagos com celulares roubados”, disse Tarcísio.

Durante o lançamento do programa, os gestores citaram casos de grande repercussão, como o assassinato do ciclista Vitor Medrado, 46 anos, em fevereiro. Ele foi morto por um garupa durante roubo de celular, em uma moto com placa falsa, próximo ao Parque do Povo, na zona oeste da capital.

Investigações levaram à prisão de Suedna Barbosa Carneiro, 41, conhecida como Mainha do Crime, suspeita de chefiar uma quadrilha especializada em latrocínios e receptação de celulares. Na casa dela, a polícia apreendeu dez placas falsas e bags falsificadas usadas para disfarçar criminosos como entregadores.

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Críticas ao modelo de placa do Mercosul

Tarcísio e Nunes criticaram o fim dos lacres nas placas, substituídos pelo padrão Mercosul desde 2018, apontando fragilidade no controle. Em junho, o prefeito enviou ofício ao Ministério dos Transportes solicitando a volta do lacre; a pasta informou que o pedido está em análise.

“É fundamental que a gente aumente as camadas de segurança com relação a essas motocicletas que passam pela cidade”, disse o governador.

Cenário da criminalidade

Apesar de afirmar que os índices gerais de crimes caíram, Tarcísio reconheceu que a sensação de insegurança permanece alta. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) mostram que o número de homicídios na capital paulista subiu 15% no primeiro semestre, passando de 232 casos em 2023 para 268 em 2024 — o maior registro desde 2021.

Já os latrocínios tiveram queda: foram 21 ocorrências, seis a menos que no mesmo período do ano passado. Para o governador, no entanto, o problema é a reincidência:

“Não adianta prender 20 ou 30 vezes o mesmo camarada e ele não ficar preso. O assassino do Vitor Medrado era reincidente”, afirmou, defendendo endurecimento das leis.