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O desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na última pesquisa Genial/Quaest, em que apareceu mais competitivo que governadores de direita para enfrentar o presidente Lula no segundo turno, abriu nova frente de pressão a Tarcísio de Freitas (Republicanos). O governador de São Paulo passou a ser cobrado por bolsonaristas a apoiar de forma contundente o filho de Jair Bolsonaro. O movimento, porém, encontra resistências não só no Centrão, mas também em parte da oposição — o pastor Silas Malafaia, que é próximo ao ex-presidente, saiu em defesa de uma chapa com Tarcísio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e disse que não vai “engolir” a candidatura de Flávio.

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Na semana passada, dias após Flávio anunciar a pré-candidatura, Tarcísio chegou a manifestar apoio ao senador, mas sinalizou que haveria outras candidaturas no campo conservador e, nos dias subsequentes, não fez mais referências ao assunto.
“Flávio tem uma grande responsabilidade. A partir de agora ele se junta a outros grandes nomes da oposição que já colocaram os seus nomes à disposição”, disse Tarcísio na ocasião, em discurso visto como insuficiente por lideranças paulistas.
Oportunidade com segurança!
Uma das vozes a cobrar Tarcísio é o deputado estadual Gil Diniz (PL-SP). Durante sessão na Alesp, na terça-feira, o parlamentar disse que o governador, até recentemente o mais cotado para assumir o espólio eleitoral de Bolsonaro, deveria até assinar um documento assegurando o apoio a Flávio.
“O meu pré-candidato à Presidência se chama Flávio Bolsonaro. Eu gostaria também que o governador fosse mais claro nas suas posições. Ele deu apoio público ao Flávio, mas eu gostaria, inclusive, que se possível ele assinasse um compromisso que aqui em São Paulo o senador Flávio Bolsonaro terá o maior palanque que qualquer presidenciável já viu”, defendeu Diniz.
A declaração foi dada no mesmo dia em que a Genial/Quaest mostrou Flávio à frente de outros nomes da direita no primeiro turno e atrás apenas de Lula. No cenário que incluiu Tarcísio entre os pré-candidatos, o filho de Bolsonaro apareceu com 23% das intenções de voto contra 10% do governador paulista, enquanto Lula marcou 41%.
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Reação oposta
A alta rejeição a Flávio registrada pelo levantamento, porém, também foi usada por parte dos aliados de Bolsonaro para reforçar a defesa de Tarcísio. São 60% os eleitores que conhecem Flávio e que não votariam nele, ante 47% no caso de Tarcísio. Além disso, 54% veem o apoio de Bolsonaro ao filho como um erro.
Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, representou essa ala ao criticar a pré-candidatura de Flávio e sugerir que o parlamentar não tem “musculatura política”, enquanto Tarcísio, avaliou, teria uma rejeição menor, e seria importante para angariar votos do Centrão e de eleitores que não votariam em Lula ou Bolsonaro.
“Eu não vi ninguém do governo Lula atacar Flávio (após o anúncio da pré-candidatura). Que coisa interessante. É como se dissessem: ‘É esse aí mesmo que nós queremos’. Uma chapa para ser combativa, para ganhar uma eleição, é Tarcísio e Michelle como vice”, afirmou o pastor em entrevista ao portal Metrópoles, para quem a ex-primeira-dama atrairia o voto das mulheres, da direita e dos evangélicos.
A pré-candidatura de Flávio também encontra barreiras para atrair legendas como PP, União Brasil, Republicanos e PSD. Desde que foi anunciada, o grupo tenta reverter o apoio de Bolsonaro ao filho.
Entre parlamentares bolsonaristas, porém, a avaliação é que Tarcísio deve se engajar no apoio a Flávio. Reservadamente, um deles afirma que o governador, ao não abraçar de imediato a pré-candidatura, busca ganhar tempo para verificar se a empreitada do senador vai ganhar fôlego. Como mostrou a colunista Malu Gaspar, Tarcísio tem afirmado a interlocutores que não vai ser desleal ou ingrato com Bolsonaro, mas tem deixado claro que não concordou com o timing e com a escolha do ex-presidente.
Para o deputado estadual Lucas Bove (PL-SP), no entanto, Tarcísio já deu seus sinais de que vai, sim, entrar de cabeça na composição eleitoral da direita bolsonarista, até por questão de sobrevivência política.
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“O Tarcísio estará conosco (com o bolsonarismo), até porque ele também sabe que, sem o presidente Bolsonaro, ele corre um sério risco (em uma tentativa de reeleição) no estado de São Paulo. A base dele, apesar de ele fazer um governo de centro-direita, é uma base bolsonarista”, afirma.
Manter o apoio do campo é um dos principais desafios de Tarcísio. A Quaest reforçou que Flávio tem peso maior nesse segmento. Nesse grupo, o senador atinge 91% das intenções de voto em um cenário de segundo turno contra Lula, enquanto o governador soma 73%. Além disso, a rejeição a Tarcísio nessa fatia é mais de três vezes maior do que a de Flávio (51% a 15%).
Outro deputado bolsonarista, Paulo Mansur (PL), que homenageou o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL) há duas semanas na Alesp, acredita que Tarcísio vá embarcar no projeto de Flávio:
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“Ele já demonstrou que apoiaria o Flávio. No momento certo, na hora certa, ele vai tomar essa atitude. E ele tem uma boa relação com o Flávio.”
Um aliado próximo de Tarcísio também prevê que o governador, assim que os cenários forem consolidados, vai se dedicar às pretensões nacionais de Flávio, a não ser que haja uma nova mudança de rota. Nesse caso, a candidatura presidencial do governador, hoje vista como em “stand by”, poderia renascer. Procurado pelo GLOBO, Tarcísio não quis se manifestar.
(Colaboraram Yago Godoy e Luis Felipe Azevedo)