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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que avalia a possibilidade de intervenção na Enel, concessionária responsável pelo fornecimento de energia na região metropolitana, após mais um apagão provocado por ventos fortes no estado.
Segundo ele, o desempenho da empresa no restabelecimento do serviço é “absolutamente insuficiente” e a normalização completa do fornecimento deve levar ainda alguns dias.
Em declaração durante um evento de entrega de moradias em Carapicuíba, na Grande São Paulo, o governador afirmou que os maiores atrasos na recomposição da rede ocorreram nas áreas atendidas pela Enel.
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Tarcísio destacou que, em comparação com outras concessionárias, a empresa apresenta menor velocidade de resposta diante de eventos climáticos extremos. Segundo ele, o governo estadual tem encaminhado relatórios técnicos e ofícios à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), responsável pela regulação e fiscalização do contrato.
O governador voltou a enfatizar que o Estado não dispõe de instrumentos regulatórios diretos para exigir mudanças na prestação do serviço, atribuição que cabe à Aneel. A discussão sobre uma eventual intervenção ganhou força após recomendação da área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU), no início do mês, para que a agência reguladora produza estudos sobre riscos, impactos e consequências dessa medida.
Tarcísio também rebateu críticas de que estaria politizando o tema. Ele citou declarações anteriores do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que havia acusado o governador e o prefeito da capital de adotarem um discurso populista sobre o assunto. Para o governador, o problema é recorrente e afeta diretamente a população, que enfrenta longos períodos sem energia após temporais. Segundo ele, a previsibilidade do restabelecimento do serviço é baixa e os transtornos tendem a se repetir em novos eventos climáticos.
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O governador defende a intervenção como alternativa à caducidade do contrato, para forçar investimentos na modernização da rede elétrica, desde que a medida seja financeiramente viável.
Ele também voltou a criticar o modelo atual de concessão, afirmando que a extensão da área atendida justificaria a divisão do contrato em duas partes, o que, na avaliação dele, facilitaria a fiscalização e a cobrança por melhorias. O contrato da Enel vence em 2028. A empresa tentou antecipar a renovação, mas o processo foi barrado pela Justiça paulista.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também criticou a atuação da concessionária. Em entrevista à CBN, afirmou que a falta de equipes suficientes da Enel tem dificultado tanto o restabelecimento da energia quanto a retirada de árvores caídas na capital. Segundo ele, a prefeitura considera necessária uma intervenção do governo federal na empresa.
Nunes contestou informações divulgadas pela Enel sobre o número de equipes em operação. Segundo o prefeito, embora a concessionária tenha informado que 1,5 mil equipes estariam atuando, menos de 40 veículos foram identificados circulando na cidade em um único dia, com base em cruzamento de dados do sistema SmartSampa. A prefeitura informou que notificou formalmente a Enel e a Aneel por meio da Procuradoria-Geral do Município.