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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou como um erro a crítica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à captura de Nicolás Maduro durante a invasão dos Estados Unidos à Venezuela. Para Tarcísio, o Brasil também falhou ao não ter liderado um processo de transição para a democracia no país fronteiriço. A declaração ocorreu em entrevista ao Estadão no último sábado (3).
“O Brasil, que é a maior economia e que responde pelo maior território da América do Sul poderia ter ajudado a Venezuela a construir um processo de transição para a democracia, mas nunca fez isso, nunca cumpriu esse papel”, destacou. “Podemos criticar os meios que foram usados agora, a legitimidade ou não, mas o fato é que algo precisava ser feito e foi feito”.
Ao veículo, o governador defendeu que o Brasil seja “pragmático” em relação ao reconhecimento da operação promovida por Donald Trump e reconheça o novo governo venezuelano, quando ele for estabelecido.
Tarcísio foi categórico ao afirmar que o ataque dos Estados Unidos à Venezuela representa o encerramento de um “ciclo ruim” na história do país e representa a chance de uma reconstrução política e econômica.
“A gente viu tudo que deu errado ao longo dos anos da Venezuela, assistimos ao longo dos anos as instituições se deteriorando e hoje é um renascimento. Hoje, talvez, a Venezuela possa se encontrar com a esperança, com um novo ciclo de prosperidade”, disse Tarcísio ao jornal.
Em vídeo publicado também no sábado (3), o governador de São Paulo destacou que uma ditadura “não cai da noite para o dia” e classificou a prisão de Maduro como um marco simbólico no combate ao narcotráfico e a corrupção.
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Tarcísio também afirmou que a manutenção do regime chavista só foi possível por apoio externo, com conivência e omissões de figuras políticas — como a de Lula, a quem não citou, mas exibiu uma imagem durante o vídeo.
No trecho final do vídeo, o governador associou o episódio vivido pela Venezuela ao cenário político brasileiro, destacando que o país agora “está vencendo a esquerda, e no fim do ano o Brasil também vence”.
Críticas ao governador
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais do governo, Gleisi Hoffmann (PT), usou as redes sociais para chamar Tarcísio de cínico após o governador comentar sobre o papel do Brasil na situação atual da Venezuela.
“Tarcísio de Freitas, que vestiu o boné do Trump, comemorou o tarifaço que ele impôs contra o Brasil, apoiou a traição de Eduardo Bolsonaro à pátria, defendeu a anistia aos golpistas condenados, agora tem o desplante de responsabilizar Lula pela invasão dos EUA à Venezuela. É muito cinismo para um bolsonarista só”, criticou em publicação na rede X.
