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Após duas semanas de férias com a família, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou ao trabalho ontem para dar início ao último ano deste mandato. De olho em mais quatro anos à frente do Palácio dos Bandeirantes — apesar de seu nome não ter sido descartado totalmente para a corrida presidencial —, ele tem até abril para fazer inaugurações pelo estado. Depois, os lançamentos poderão ser realizados, mas sem sua presença. Enquanto isso, o governador tem que lidar com questões políticas e partidárias que envolvem a definição de um vice para a sua chapa e a cobrança por um apoio mais enfático à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto.

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Ainda de olho em uma marca para a gestão, Tarcísio lançou no fim do ano passado o slogan “Coragem para fazer o (im)possível é São Paulo na direção certa”. Na ocasião, ele entregou 26 quilômetros do Rodoanel Norte, cuja obra, iniciada há 28 anos, deverá ser finalmente concluída até o fim deste ano. Ele também pretende assinar o contrato do túnel Santos-Guarujá, alvo de disputa por protagonismo com o governo Lula, parceiro do estado na empreitada.
Outras entregas pretendidas por Tarcísio, como parte da Linha 6-Laranja do Metrô e a obra do Monotrilho da Linha 17-Ouro (prometida para a Copa de 2014), ambas também iniciadas em gestões passadas, deverão render imagens que serão utilizadas em seus programas eleitorais. O mesmo deve ocorrer com o leilão do centro administrativo, nos Campos Elísios, inicialmente previsto para ocorrer no fim de 2025, mas que ficou para este primeiro semestre.
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Entre o lançamento de obras e o preparo para a campanha, o governador avalia se mantém em sua vice Felício Ramuth do PSD de Gilberto Kassab — também cotado para o posto — ou se cede às investidas do PL de Valdemar Costa Neto interessado na vaga.
Nesse caso, o indicado da legenda seria o presidente da Alesp, André do Prado. A alegação do PL é que o partido tem a maior bancada estadual e ajudou o governador a aprovar projetos importantes para o governo, como a privatização da Sabesp.
Nas duas últimas semanas, com a chave do estado nas mãos, Ramuth tratou de demarcar território. Promoveu eventos de entregas de moradias populares, deu entrevistas e declarações polêmicas. Em uma delas, no último dia 5, chamou o PT de partido “narcoafetivo”, ao comentar a operação dos Estados Unidos que capturou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas.
Como resposta, o PT falou que vai processar o vice de Tarcísio.
Relação com o PP
O Partido Progressista (PP), que tem Guilherme Derrite como um dos principais nomes, tem demonstrado insatisfação com o governador e vem fazendo cobranças públicas por uma suposta falta de apoio à pré-candidatura ao Senado do ex-secretário da Segurança, fora do posto há pouco mais de um mês.
Em nota divulgada na última semana de dezembro, o diretório paulista do PP afirma que existe um “crescente descontentamento de prefeitos da legenda” com a gestão estadual, e já cita nomes que estariam sendo avaliados internamente como possíveis candidatos pela sigla.
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Um deles é Filipe Sabará, que já foi secretário nas gestões municipal e estadual de João Doria, foi presidente do Fundo Social de São Paulo nos primeiros 18 meses do governo Tarcísio e atualmente está ajudando Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua aproximação com empresários da Faria Lima. Outro nome aventado pelo PP é o do deputado federal Ricardo Salles, que atualmente está no Novo. Hoje, o PP tem 54 prefeitos no estado de São Paulo.
Razões para insatisfação
Mas o entorno de Tarcísio minimiza as chances de isso se concretizar. Uma fonte afirma que “dificilmente” o PP se colocaria contra o governador, principalmente porque Derrite tem o seu apoio e não vem endossando as críticas de seu partido a Tarcísio.
Algumas das razões para a insatisfação seria a demora na liberação de recursos para prefeituras e a perda de espaço do PP no governo. O União Brasil, que faz parte da federação com o PP, já garantiu que apoiará o governador.
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O apoio de Tarcísio à empreitada nacional de Flávio Bolsonaro é outro desafio. Como mostrou O GLOBO na semana passada, um mês depois do anúncio da pré-campanha de Flávio, embora o governador tenha dito mais de uma vez que irá apoiá-lo, aliados afirmam que ele precisará ser mais incisivo.
“Será muito estranho, para não dizer bizarro, se Tarcísio não entrar de cabeça na campanha do Flávio Bolsonaro. Ele é uma pessoa inteligente, sabe que é quem tem mais a perder se não fizer isso. Sendo assim, acredito que ele deva entrar na campanha o quanto antes. Está de férias, refrescando a cabeça, quando retornar deve fazê-lo”, afirmou na ocasião Filipe Sabará, que deve agendar para esta semana uma nova rodada de encontros entre empresários paulistas e Flávio.