Entrevista

“Tanto faz se é Aécio ou Marina; para mercado, o importante é a Dilma não ganhar”

Não que seja tão simples assim, mas caso ela incorpore as diretrizes econômicas que vinham sendo apontadas por Campos não tem porque o mercado não gostar, disse o sócio-gestor da Humaitá Investimentos

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SÃO PAULO – “Tanto faz se será Aécio Neves ou Marina Silva; para o mercado, o importante é a Dilma Rousseff não ganhar”, disse Frederico Mesnik, sócio-gestor da Humaitá Investimentos, em entrevista exclusiva ao InfoMoney, em meio à entrada de Marina entrar na disputa eleitoral. Não que seja tão simples assim, mas caso ela incorpore as diretrizes econômicas que vinham sendo apontadas por Eduardo Campos não tem porque o mercado não gostar, comentou.

Segundo ele, a grande dúvida era qual seria o plano do governo do PSB. Entretanto, em uma de suas últimas entrevistas, Eduardo Campos sinalizou que as políticas de governo seriam parecidas com as de Aécio – e isso deixou o mercado animado. Com a entrada de Marina Silva na disputa, o que comenta-se é que ela deve seguir essa postura. Ela deve ser mais pró-mercado em relação à política econômica, disse.

Outro ponto muito importante que o mercado tem olhado é que a Marina tem tido uma postura mais humilde ao assumir que ela não conhece sobre tudo e tem delegado as pessoas certas para essas áreas. Por exemplo, a economia, ela não domina o tema, mas deve eleger economistas renomados e dar força para que eles façam um bom plano de governo. Um dos assessores da provável candidata do PSB é o economista Eduardo Giannetti. Em palestra hoje, ele destacou que não via “diferenças fundamentais em economia nos dois candidatos” da oposição, referindo-se a Aécio Neves (PSDB) e Marina.

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Se ela continuar nesse caminho, para o mercado não será ruim uma vitória dela ou de Aécio, entretanto, obviamente que se ela vier com discurso focado basicamente no meio ambiente, que era uma das suas principais causas, pode acabar afastando alguns setores, disse. Sua forte ligação com os temas ambientais faz alguns agentes econômicos ficarem com pé atrás com a candidata, mas, para Mesnik, ela não deve se afastar muito das diretrizes deixadas por Campos, isto porque ela própria vem comentando que o motivo de não ter entrado naquele avião foi “providência divina”. Ou seja, ela já vem indicando que dever buscar seguir caminhos semelhantes. 

Quem é o maior perdedor?
Para Mesnik, o maior perdedor do novo cenário eleitoral que se formou após morte de Campos foi a Dilma. Se Marina for para o segundo, o PSDB deve ir todo com ela, e é provável que ela vença, disse. Avaliação semelhante foi dada por Luiz Carlos Mendonça de Barros, no final da semana passada. “Forças mais arejadas de toda a sociedade ajudariam este governo (Marina) para selar a remoção do PT do Poder”, comentou o ministro das Comunicações no governo de Fernando Henrique Cardoso e economista-chefe da Quest Investimentos, em seu perfil no Facebook.  

A pesquisa Datafolha divulgada hoje mostrou um cenário bastante positivo para a candidatura de Marina Silva. Em seu relançamento, após voltar inesperadamente à disputa presidencial (ainda não oficializado), Marina registrou 21% no primeiro turno, contra 36% de Dilma e 20% de Aécio. No segundo turno, Marina derrotaria Dilma por 47% a 43%, no limite da margem de erro. 

“Ela conseguiu conquistar o voto da população que está revoltado com a atual situação do Brasil, isso puxou o branco e nulo. Ela não conseguiu puxar o voto de Dilma e Aécio porque a maioria ainda não sabe para onde ela irá, tudo dependerá se Marina vai seguir esse discurso mais pró-mercado”, disse. Se Marina for mais para o lado do PSDB, é provável que num segundo turno todos se voltem contra Dilma, comentou.