Supremo não pode ficar como está, mas tem tentado mudar, diz Cármen Lúcia

"O Supremo não pode ficar como está em sua dinâmica. Vejo essa tentativa de mudança. Não significa que não tenha muito a aperfeiçoar", afirmou Cármen

Estadão Conteúdo

Rio de Janeiro (RJ), 29/11/2025 – A ministra do STF Carmen Lúcia fala sobre literatura e democracia na Festa Literária da Casa de Rui Barbosa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 29/11/2025 – A ministra do STF Carmen Lúcia fala sobre literatura e democracia na Festa Literária da Casa de Rui Barbosa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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O Supremo Tribunal Federal (STF) tem buscado mudanças nos últimos anos, mas deve passar por mais reformas. A avaliação é da ministra Cármen Lúcia, que participou na manhã desta segunda-feira, 13, do seminário “O Brasil na visão das lideranças públicas”, promovido pela Fundação Fernando Henrique Cardoso.

Durante o painel, a ministra abordou a crise de confiança no Judiciário e possíveis inovações na dinâmica do tribunal.

“Há uma avalanche que precisa ser repensada”, afirmou a magistrada, referindo-se à carga de processos na Corte. “Não é fácil do ponto de vista humano e funcional”, disse. Cármen defendeu que, apesar das críticas, o plenário virtual foi uma “boa medida” para desafogar o acervo da Corte.

“O Supremo não pode ficar como está em sua dinâmica. Vejo essa tentativa de mudança. Não significa que não tenha muito a aperfeiçoar”, afirmou Cármen.

Entre as mudanças possíveis, a ministra avaliou como positiva a eventual reformulação do modo de redação dos acórdãos, adotando-se o do majority opinion, da Suprema Corte dos Estados Unidos. Nesse modelo, ao invés de votos individualizados, os ministros se reúnem e, por consenso, decidem em unidade sobre o julgamento.

Segundo Cármen, o modelo teria como vantagem tornar as resoluções do tribunal menos suscetíveis a alterações. Por outro lado, seria uma “mudança cultural” profunda na cultura jurídica do País e de difícil implementação em uma Corte com vias de acesso tão amplas como o STF.

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Sobre a crise de confiança no Judiciário, a ministra afirmou que as instituições como um todo, tanto públicas quanto privadas, têm tido a credibilidade posta em xeque.

A essa “crise de desconfiança global”, como se referiu a ministra, somam-se os desafios de julgar temas de direito constitucional cada vez mais complexos.

“Aquele mundo com parâmetros postos acabou e estamos vivendo outro”, disse Cármen quanto ao julgamento de temas como a responsabilidade civil das redes sociais e do uso de inteligência artificial (IA). “São perguntas inéditas e as respostas não estão prontas”, afirmou.