Fique atento

“Super quarta” promete movimentar mercado com 3 grandes eventos antes do feriado

Moro no Senado, Fomc e Copom com investidores de olho em possível corte de juros: por que o mercado deve ficar atento a esses eventos

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SÃO PAULO – Esta semana é mais curta por conta do feriado de Corpus Christi, que fará com que a B3 não opere na quinta-feira (20). Contudo, a sessão de quarta-feira (19) pré-feriado promete ser bastante movimentada por três eventos em especial: a decisão de juros do Banco Central do Brasil, a decisão do Federal Reserve e, no campo político, a ida do ministro da Justiça Sergio Moro ao Senado.

Dependendo de como ocorrerem esses eventos, o Ibovespa, que registrou forte alta no pregão desta terça ao subir 1,82%, pode voltar a atingir os 100 mil pontos, patamar que não é alcançado pelo índice desde 19 de março. 

O primeiro evento, a ida de Moro à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa legislativa, acontecerá a partir das 9h (horário de Brasília). 

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O próprio ministro se colocou à disposição dos parlamentares após o vazamento de mensagens atribuídas a ele e ao procurador da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol. Nas conversas, divulgadas pelo site The Intercept Brasil, o então juiz da Lava Jato troca informações com Deltan, coordenador da força-tarefa.

A expectativa, conforme destaca a Folha de S. Paulo, é de que a oposição promova durante a audiência uma discussão política que tire Moro da sua “zona de conforto” enquanto que, do lado governista, a intenção é que Moro não caia em provocações. 

Durante a tarde, mais precisamente às 15h, será conhecida a decisão de política monetária do Federal Reserve. A expectativa da maior parte do mercado é de que haja manutenção de juros, mas vem crescendo a projeção por um corte já nessa reunião (com uma chance de 25%, de acordo com dados da Bloomberg), em meio à inflação ainda fraca e números ruins do mercado de trabalho. 

Os investidores, assim, esperam que o Fed assuma um viés mais “dovish”, ou seja, sinalizando um corte de juros nos próximos meses. A probabilidade implícita de uma redução da taxa de juros para a decisão do Federal Open Market Committee de 31 de julho é de 66,8%. 

Além do comunicado do Fomc, mais sinalizações poderão ser dadas com a conferência de Jerome Powell, chairman do Fed, a partir das 15h30, que será crucial para guiar as expectativas do mercado.

Na mesma linha, está a decisão do Banco Central brasileiro, que deverá ser divulgada a partir das 18h.

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Até poucas semanas atrás, a grande maioria do mercado esperava por uma manutenção da Selic em 6,5% ao ano. Porém, a curva de juros já embute uma chance de cerca de 25% de que a Selic já seja cortada nesta quarta-feira. 

A maior probabilidade é de que o ciclo de corte comece no segundo semestre, em meio às indicações do Banco Central e do seu presidente, Roberto Campos Neto, de que aguardará o desenrolar da reforma na Câmara. Esta visão também é compartilhada por economistas em meio à fragilidade das contas públicas. 

Porém, com dados da atividade econômica fracos – como o IBC-Br, considerada prévia do PIB, vindo abaixo do esperado -, a inflação podendo ficar abaixo da meta em 2020 e expectativas ancoradas, o caminho para a flexibilização poderia começar agora.  

O Itaú Unibanco passou a ver a Selic de 5% em 2019 e 2020, como resposta ao ritmo lento da recuperação da atividade, que contribui para perspectivas inflacionárias mais favoráveis. A expectativa de corte está condicionada à aprovação da reforma da Previdência, mas foi antecipada de agosto para julho. O comunicado também pode mostrar mais sinais de quando haverá o corte pelo BC. 

Com três eventos desta importância, que têm tudo para mudar análises e projeções de analistas, o mercado deve ter uma quarta-feira de tensão e volatilidade. É bom o investidor se preparar antes de ir para o feriado. 

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