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O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), foi afastado do cargo por seis meses pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob suspeita de liderar um esquema milionário de corrupção envolvendo o desvio de recursos públicos durante a pandemia de Covid-19.
A decisão, tomada pelo ministro Mauro Campbell, cita indícios de que Barbosa “transformou o governo do estado em um verdadeiro balcão de negócios”.
A operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal aponta que o grupo teria desviado R$ 73 milhões apenas em fraudes ligadas à distribuição de cestas básicas — programa coordenado por Barbosa quando era vice-governador.
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Segundo as investigações, empresários criaram empresas de fachada e usaram laranjas para simular entregas e serviços não realizados.
Áudios obtidos pelo Fantástico, da TV Globo, mostram Paulo César Lustosa, apontado como operador do esquema, negociando o repasse das verbas desviadas: “Nós é que vamos administrar os recursos dessas emendas… e o que sobrar a gente racha”, diz um dos trechos.
A PF relata que as mesmas cestas básicas eram reutilizadas em fotos e filmagens para comprovar falsamente as entregas. Em um dos áudios, Wilton Rosa Pires, irmão de Lustosa e servidor da Secretaria de Meio Ambiente, admite pegar “cestas emprestadas de mercado” para enganar fiscais da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas).
Com o tempo, o grupo teria ampliado o esquema para a cobrança de propinas a empresários em troca da antecipação de pagamentos de contratos públicos.
Lavagem de dinheiro
A PF também apura lavagem de dinheiro por meio da construção da Pousada Pedra Canga, em Taquaruçu, registrada em nome dos filhos de Wanderlei Barbosa. Uma perícia aponta que os gastos ultrapassaram R$ 6 milhões, valor muito superior ao declarado oficialmente.
Durante as buscas, os agentes encontraram R$ 52 mil escondidos em um compartimento no banheiro da casa do governador, além de R$ 700 mil na residência de outro investigado.
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Campbell justificou o afastamento pela “atualidade das operações de lavagem” e pela “expressiva quantia de dinheiro em espécie apreendida no gabinete do governador”.
Wanderlei é o terceiro governador do Tocantins afastado do cargo por corrupção desde a criação do estado. As defesas dos acusados negaram o envolvimento no suposto esquema e disseram que apresentarão suas defesas no curso do processo.