STF vê julgamento da trama golpista como “check-up da democracia”, dizem ministros

Moraes, Dino e Cármen destacam riscos do populismo digital e importância de resposta institucional aos ataques de 8 de janeiro

Marina Verenicz

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O julgamento da chamada trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF) foi marcado, nesta quinta-feira (11), por falas incisivas dos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cármen Lúcia.

Durante o voto do colega Cristiano Zanin, eles pediram apartes para sublinhar a gravidade do processo e a necessidade de uma resposta firme do Judiciário diante de ataques à democracia.

Flávio Dino fez uma analogia direta: “Esse julgamento é um check-up da democracia”. O ministro relatou ter acionado a Polícia Federal após receber ameaças nas redes sociais.

Segundo ele, circularam “milhares de postagens” afirmando que deveria ser enviado ao Nepal — país que enfrenta uma revolta violenta — e com mensagens de intimidação, como a de “tocar fogo na casa das pessoas”.

Dino reforçou que o fenômeno do populismo não é exclusivo do Brasil, mas global. “Creio que esse julgamento é um sinal muito importante para o Brasil e, esperamos nós, também para outras experiências democráticas”, disse.

Moraes também se manifestou, ressaltando a atuação das chamadas “milícias digitais” como novo instrumento de ataque às instituições. “Esse novo populismo digital extremista utiliza as redes sociais para destruir reputações e criar narrativas falsas, como a de que em determinados locais as urnas eletrônicas não funcionam”, afirmou.

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Para o ministro, as democracias atuais não são atacadas apenas por armas, mas por campanhas coordenadas de deslegitimação institucional.

Cármen Lúcia acompanhou os colegas e lembrou que processos como o julgamento em curso não tratam apenas da responsabilização individual dos réus, mas do fortalecimento da confiança na ordem democrática.