STF é acionado para suspender mudanças sancionadas por Lula na Lei da Ficha Limpa

Rede Sustentabilidade e entidades apontam retrocesso institucional e vício formal no processo legislativo

Marina Verenicz

(Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo)
(Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo)

Publicidade

A Rede Sustentabilidade acionou, nesta quarta-feira (1º), o Supremo Tribunal Federal para analisar a constitucionalidade da Lei Complementar que altera pontos da Lei da Ficha Limpa, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com vetos parciais.

A Rede Sustentabilidade, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e a Educafro protocolaram uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) alegando que as alterações flexibilizam as regras de inelegibilidade e permitindo que políticos condenados por crimes graves retornem à disputa eleitoral em prazo reduzido.

O documento alega que a lei representa um “retrocesso institucional sem precedentes” e que a sua aplicação já em 2026 pode gerar instabilidade política, ao abrir caminho para candidaturas de condenados que estavam anteriormente barrados.

Ferramenta do InfoMoney

Baixe agora (e de graça)!

Argumentos de inconstitucionalidade

Segundo a ADI, houve vício formal no processo legislativo, uma vez que o Senado alterou trechos de mérito aprovados pela Câmara sem devolver o projeto para nova análise, violando o artigo 65 da Constituição.

Além disso, os autores sustentam que a lei contraria tratados internacionais anticorrupção dos quais o Brasil é signatário e desvirtua o espírito da mobilização popular que, em 2010, levou à aprovação da Ficha Limpa com mais de 1,6 milhão de assinaturas.

Entre as mudanças questionadas está a criação de dois regimes distintos para a contagem do período de inelegibilidade. Na prática, isso pode permitir que políticos disputem eleições mesmo durante o cumprimento de penas.

Outro ponto criticado é a fixação de um teto de 12 anos para múltiplas condenações, o que, segundo a ação, acaba “premiando reincidentes”.