Entrevista para O Globo

“Sou alvo político daqueles que querem fragilizar o governo”, diz Mercadante

Sobre a movimentação no Congresso sobre um pedido de impeachment da presidente, ele disse que isso parte “de um setor da oposição que não aceita a derrota”

SÃO PAULO – Em entrevista publicada no domingo (20) pelo jornal “O Globo”, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, falou sobre a pressão sofrida para sair do cargo ainda sobre a crise política enfrentada pelo governo da presidente Dilma Rousseff. 

Ao jornal, ele afirmou que é “alvo especialmente para aqueles que querem fragilizar o governo”, negou que o ex-presidente Lula esteja entre essas pessoas. 

“Eu sou um alvo político evidente pela função que exerço. Com as dificuldades que estamos enfrentando e os desafios que temos pela frente, sou alvo especialmente para aqueles que querem fragilizar o governo”, afirmou.

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“Hoje (sexta-feira) tomei café com ele. Lula me conhece mais do que qualquer um. Fui seu assessor por pelo menos 20 anos. Estive em todas as campanhas dele desde a primeira, de 1982. Então, a gente tem uma relação muito rica, muito próxima, e ele deixou claro que acha que, neste momento, a Casa Civil é uma função que depende da confiança da presidente, e que é ela que escolhe. Eu só ficarei aqui se eu tiver a plena confiança dela”, afirmou.

O ministro ainda criticou a oposição em meio às votações do ajuste fiscal, afirmando que precisa ter responsabilidade fiscal que ela mesma aprovou. “A maioria dos governadores não vai dar reajuste ou nem está pagando os salários em dia. Precisamos fazer um debate maduro e ter uma corresponsabilidade não só do Congresso, de quem temos tido apoio muito grande nas nossas reformas, mas também de uma parte da oposição. A oposição que fez a Lei de Responsabilidade Fiscal tem que ter alguma responsabilidade fiscal.” Ele ainda sustentou que a CPMF é necessária. 

Sobre a movimentação no Congresso sobre um pedido de impeachment da presidente, ele disse que isso parte “de um setor da oposição que não aceita a derrota”. “Isso não é bom para a democracia. Nós perdemos muitas eleições e não questionamos o resultado”, afirmou.