Liberalismo na veia

“Somos o estagiário que quer virar presidente”, diz presidente do Partido Novo

Em sua estreia no mundo político, o partido conseguiu mais de 260 mil votos em cinco capitais do país e levou quatro representantes para as câmaras municipais. Agora é hora de pôr a mão na massa

SÃO PAULO – Há pouco mais de um ano, o Tribunal Superior Eleitoral concedia autorização para a criação de mais uma sigla no sistema partidário brasileiro — a 33ª dentro de um universo que hoje conta com 35 legendas. Com o objetivo de oferecer alternativas ao cardápio político nacional, o Partido Novo logo atraiu a curiosidade de um público insatisfeito com os atores e práticas tradicionais. Sua agenda em torno de enxugamento da máquina e promoção de eficiência à esfera pública fez do partido um dos menus prediletos de investidores do mercado financeiro. A ideia de levar valores do mundo empresarial para as Câmaras e Assembleias e compor um time de nomes de fora da política agradou ao paladar de alguns agentes econômicos importantes, a despeito das duras críticas que recebeu por flertar com a “antipolítica”.

O presidente João Dionísio Amoêdo conta que a proposta é trazer novos valores ao mundo político, mas sem negá-lo. Na filosofia do Novo, é preciso reduzir o campo de atuação do Estado e consequentemente o poder dos políticos para que serviços públicos considerados essenciais sejam aprimorados com ganhos de eficiência e que a iniciativa privada tenha maior possibilidade de atuação com menos amarras em outros setores. “A busca pelo poder é para devolvê-lo às pessoas”, diz. A retórica angariou apoio de mais de 260 mil eleitores, que votaram nos candidatos a vereador da legenda em sua primeira disputa eleitoral em cinco cidades. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre dedicaram um assento de suas câmaras municipais a um nome do partido, ao passo que em Curitiba não será possível pôr em prática as propostas da legenda nesta oportunidade.

João Amoêdo

O desempenho foi muito comemorado dentro do partido, que se considera o mais liberal de todo o sistema partidário nacional. “Mostramos que é possível trazer pessoas de fora da política com perfil competente para um processo eletivo; que, sem usar dinheiro público, sem fazer coligações, sem gastar muito e mesmo sem quase nenhum tempo de televisão, é possível eleger pessoas”, argumenta Amoêdo. Em entrevista ao InfoMoney, o presidente do Partido Novo conta a ideia que marcou o surgimento da sigla, os próximos desafios e a percepção sobre o atual situação política e econômica pela qual passa o país. Confira os melhores momentos:

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InfoMoney – O que o fez abandonar uma carreira reconhecida no mercado financeiro para ingressar no espinhoso mundo da política e fundar o Novo?

João Amoêdo – Na verdade, a ideia inicial nem era montar um partido político, mas havia aquele sentimento de insatisfação com os serviços públicos. É aquela história de você ver um sujeito na rua pedindo esmola e, do outro lado, você pagando um monte de imposto. São aquelas fotografias das pessoas nos hospitais em falta de leito, as escolas em estado precário. Foi aí que surgiu a vontade: não é possível que a gente não possa levar práticas da iniciativa privada para o mundo público. Transparência, meritocracia, gestão eficiente, metas, definição de parâmetros, melhores práticas.

Quando começamos a pensar nisso, três coisas ficaram muito claras para nós. A primeira era que o Estado tem uma concentração muito grande de recursos, então qualquer coisa relevante que pudesse ser feita para melhorar a vida das pessoas passava por uma atuação na área pública. A segunda era que a gente deveria trazer bons gestores da iniciativa privada, que não se interessavam pela política, para a política. Um último ponto foi que a forma de tornar o Estado eficiente, para que pudesse atender as demandas básicas, passava necessariamente por uma redução em seu escopo de atuação. Como em qualquer negócio, quando se quer fazer tudo ao mesmo tempo, não se faz nada bem. E o Estado, que se metia a ser empresário e administrar uma série de coisas, não conseguia fazer o básico, que era saúde, educação e segurança.

Precisávamos ter um modelo de Estado que focasse no essencial e saísse daquilo que não é prioritário. Isso significa claramente perda de poder para os nossos políticos, com menos área para indicar gente, menos orçamento sob poder de gestão e mais dinheiro no bolso das pessoas. Era preciso entrar no mundo político, elegendo gente e levando ideias para lá. E isso deveria ocorrer através de um partido político. Como entre os que existiam à época não havia nenhum exatamente com esse discurso e acreditávamos que seria muito mais fácil atrair pessoas para uma sigla recém-iniciada, ao final de 2010 resolvemos montar o Novo, sabendo que seria algo bastante difícil e com sucesso incerto.

IM – Antes disso, os senhores não tiveram nenhuma experiência formal direta na política?

JA – Não. Eu até brinco que a única experiência que tinha era de votar – na grande maioria das vezes, escolher entre o menos pior. Até por toda a atividade na área financeira e na época de formação como estudante em duas faculdades ao mesmo tempo, não dava para ir para a política. Não participei nem de grêmio acadêmico.

IM – É uma experiência completamente nova…

JA – Muito nova para nós. Na iniciativa privada, sempre procuramos elencar as melhores práticas, as empresas que vão bem e que vale a pena conhecer e trazer algumas métricas e padrões. Infelizmente, na nossa avaliação, não havia um modelo a ser seguido na política brasileira. Era um mundo novo sem um modelo que pudesse nos orientar. A única certeza que tínhamos era que precisávamos inovar, já que a política e os partidos eram tão mal vistos.

Muita gente dizia que não era assim que se entrava na política, e nós respondíamos que era exatamente isso que queríamos mudar. As pessoas falavam em coligação, puxadores de votos, mas nós dizíamos que acreditamos em um projeto diferente. 

IM – O partido tem em sua essência a negação das coligações? Não há possibilidade de participar desse tipo de formação política no futuro então?

JA – Não é que esteja vetado, mas acreditamos que as coligações devem existir em função de ideias, princípios e valores quando houver afinidade. Infelizmente, principalmente por conta de horário eleitoral na televisão, hoje as coligações são feitas dentro de uma lógica, que, do ponto de vista dos princípios que defendemos, não fazem sentido.

Lá na frente, fazer uma coligação ou apoiar ideias que estejam em sintonia com o que pensamos não haverá problemas. Mas, na largada, a gente não reconheceu esse viés, por isso, participamos mantendo a independência em relação aos demais partidos.

IM – A proposta de seguir carreira solo reforça a preocupação do partido com a construção de uma identidade ideológica. Como o senhor enxerga a atual estrutura partidária brasileira a que muitos especialistas se referem como um espaço de muitas siglas, mas, paradoxalmente, baixo nível de representatividade?

JA – Hoje temos 35 partidos e as pesquisas indicam que cerca de 80% das pessoas não se sentem representadas por nenhum deles. Ao mesmo temo, acho um erro na reforma política a tentativa de atacar a quantidade de partidos, e não a baixa representatividade. A cláusula de barreira é um ataque ao sintoma do problema (o excesso de partidos), e não à causa. 

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IM – Se limitar a quantidade de partidos pelo desempenho eleitoral não ataca o problema da representatividade, qual seria a solução?

JA – O que existe hoje é que os partidos acabam não tendo uma ideologia. Eles são feitos como máquinas para perpetuação no poder e aproveitamento da gestão do Estado. Com isso, você acaba juntando pessoas que pensam diferente mas eventualmente têm o mesmo interesse e objetivo. O cidadão que está de fora não consegue entender exatamente qual é a proposta daquele partido. Isso faz com que haja essa dissociação entre os dois.

Quando uma empresa não atende bem ao consumidor, não presta um bom serviço ou tem produtos ruins, pode demorar um pouco, mas ela quebra. No caso dos partidos, deveria ser assim também. E por que não é? Porque eles têm uma grande verba proveniente de dinheiro público. O PT, por exemplo, é um partido que recebe cerca de R$ 10 milhões por mês do fundo partidário. Com isso, sua relação passa a ser basicamente com o Estado, não com o cidadão.

Nossa sugestão para melhorar a representatividade seria acabar com o dinheiro público [pelo fundo partidário] e tempo de televisão. Os partidos seriam obrigados a ter como senhor do seu projeto o eleitor. Em uma segunda análise, daria liberdade para as pessoas montarem partidos. Se a oferta não atende aos cidadãos, por que não ter a liberdade de montar mais? Eu não tenho dúvida de que, acabando o dinheiro público, muitos desses 35 desapareceriam naturalmente, já que a falta de representatividade os tornaria inviáveis. Não precisa de cláusula de barreira, basta a restrição dos benefícios.

IM – Como pensar em um projeto inovador em meio a uma estrutura ainda profundamente patrimonialista em seus mais variados níveis?

JA – A coisa precisa ser atacada por dois lados ou acaba sem efeito. De um lado, é necessário dar liberdade para as pessoas se associarem, montarem partidos, lançarem candidaturas avulsas, e acabar com benefícios como fundo partidário e tempo de televisão. Do outro lado, é basicamente reduzir a área de atuação do Estado. Ele deixaria de ter empresas, com isso reduziria fundos de pensão; o dinheiro do Fundo de Garantia poderia ser administrado pelos próprios cidadãos, e não necessariamente pelo Estado, que paga menos que a inflação. Assim, também se desmonta a máquina que cria um grande interesse para a gestão pública e um ambiente propício para corrupção. Infelizmente, o modelo atual mostrou-se inviável, inclusive pelas contas. Mesmo com a aprovação do limite de gastos, estamos longe de ser um país saudável fiscalmente. 

IM – O Novo se considera o único partido de direita em atividade no Brasil?

JA – O conceito de direita é muito distorcido, porque é visto como algo da ditadura militar. A gente prefere dizer que, de todos que existem, é o partido mais orientado por essa tese do liberalismo econômico. 

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IM – Há alguma inspiração nacional ou internacional para a estrutura pensada para o partido?

JA – Em termos de estrutura de gestão, gosto de citar o sul-africano Aliança Democrática, que tem mais ou menos 25 anos e cerca de 25% das cadeiras do parlamento. Ele tem um CEO e um presidente que cuida da parte política. O partido é muito forte em treinamento de pessoas e não tem aquela história de sempre haver um “salvador da pátria”. 

IM – O que vocês incorporaram como práticas para o partido?

JA – Uma das coisas similares que fizemos foi o processo seletivo. No deles, a pessoa fica praticamente um ano em treinamento para se candidatar. Nós não tivemos esse tempo, porque o registro saiu muito próximo das eleições, mas pretendemos fazer algo mais completo para 2018. 

IM – Como funciona a rotina do partido?

JA – Hoje temos 21 núcleos municipais. Eles fazem reuniões locais e a gente tem tentado fazer, pelo menos semestralmente, uma presencial com os líderes para fazer avaliação e estratégia. Também temos uma comunicação muito estreita via Whatsapp, e-mail e Facebook. Recentemente, fizemos uma reunião com os quatro vereadores eleitos pelo Novo para buscar pautas semelhantes e atuações similares. No Rio, estamos cortando de 20 para 6 a quantidade de assessores e em 85% as verbas de gabinete. Esse é mais ou menos o padrão.

O Novo quer fazer mais com menos e dar o exemplo. Foi interessante o fato de termos tido gente eleita para podermos partir do discurso para a prática. Isso já ocorreu na eleição, quando mostramos, primeiro, que é possível trazer pessoas de fora da política com perfil competente para um processo eletivo; segundo, que, sem usar dinheiro público, sem fazer coligações, sem gastar muito e mesmo sem quase nenhum tempo de televisão, é possível eleger pessoas. 

IM – Quais são as ambições do partido após a primeira eleição? Até onde o Novo sonha chegar?

JA – Sempre brincamos que somos o estagiário que quer virar presidente. Agora vamos ter que planejar. Vamos fazer uma avaliação do que aprendemos nesse processo eleitoral e pensar um pouco na estratégia para 2018 de expansão de filiados, vendo em quais cidades deveríamos estar e se gostaríamos de ter um candidato a presidente para divulgar as ideias do Novo. Está nos nossos planos, mas vai depender da aceitação das ideias e de as pessoas se engajarem no projeto. O Novo é uma ferramenta, a gente precisa contar com a participação das pessoas, como aconteceu nessas eleições. Quando abrimos para o processo seletivo, havia 590 pessoas inscritas, e, no final, lançamos 138 candidatos. 97% dos inscritos nunca tinha sequer se filiado a um partido político. 

IM – Como tem sido o processo de tomada de decisão internamente no partido, haja vista a inexperiência dos filiados à vida partidária?

JA – Temos diretórios nacional, estaduais e municipais. Cada um deles tem uma alçada decisória. Os candidatos que participaram do processo eletivo foram referendados pelos filiados. Os posicionamentos do Novo foram explicitados no primeiro momento, para que as pessoas que viessem já defendessem aqueles valores e princípios. Então, a discussão fica muito mais na questão estratégica.

[O processo de tomada de decisões] é mais meritocrático, que é o que temos buscado sempre, para que não caminhemos para um negócio populista e demagogo no partido. E claro que tem que ter uma participação dos filiados, porque, como são eles que financiam o partido e não usamos o dinheiro público, se em determinado momento as decisões começarem a desagradar, eles simplesmente param de pagar e o partido fica inviável. 

IM – Como uma pessoa faz para se filiar ao Novo? Ela precisa ter recursos para fazer parte do projeto?

JA – A filiação é toda feita no site do partido e a pessoa faz uma contribuição mensal de pouco menos de R$ 27,00. Contudo, é possível ser somente apoiador. Para isso, basta preencher um cadastro no site para receber informações e eventos que fazemos. Também dá para fazer doações de qualquer valor. Hoje, estamos nos aproximando de 10 mil filiados. 

IM – O partido não teme acabar em situação de isolamento político?

JA – Esse risco sempre existe, mas os fatos estão nos dando uma indicação contrária disso. Fomos capazes, mesmo sem nenhum político, de conseguir as assinaturas necessárias e de ter 10 mil filiados pagantes. Participamos de uma primeira eleição ainda muito inicial e conseguimos eleger pessoas. Acho que há uma demanda por ideias e coisas diferentes. A grande dúvida é com que velocidade vamos progredir. De qualquer forma, nossa preocupação sempre foi fazer o que achamos certo e que o crescimento seria consequência. É muito mais fácil crescer hoje, do jeito como a política é estruturada, sem manter valores do que fazer o caminho que estamos fazendo. [Se der errado,] O pior que pode acontecer é as pessoas não aceitarem a ideia ou ela não ter a validação necessária. Afinal, a busca pelo poder, no fundo, é para devolvê-lo às pessoas. 

IM – João Doria foi eleito em primeiro turno, em São Paulo, com um discurso de outsider da política. Essa é a imagem que o Novo quer trazer para o mundo político? Doria poderia ter sido candidato do Novo?

JA – Gostamos da ideia de ser alguém fora da política e um bom gestor, justamente por ampliar o leque de pessoas que estão vindo para a política e estimular quem teve um desempenho de sucesso em atividades anteriores.

Não conheço tão profundamente João Doria, não passou pelo nosso processo seletivo para dizer se seria a pessoa (risos). Mas acho que ele tem algumas características que certamente são coisas que estamos buscando no Novo.

Visto em relação aos outros candidatos em São Paulo, eu não sei se ele seria exatamente o candidato do Novo, mas acho que é o que mais se aproxima desse perfil do partido. 

IM – O jurista Luiz Flávio Gomes lançou um projeto pelo Fim do Político Profissional. Como os senhores enxergam essa iniciativa, que propõe inclusive limites para a reeleição?

JA – Vemos com muito bons olhos. Inclusive, no estatuto do Novo, as pessoas que disputam o Legislativo ficam vetadas de se reeleger mais de uma vez. As pessoas que estão votando nos candidatos do Novo estão votando nas ideias que eles representam e nas propostas feitas, e não necessariamente no puxador de votos. Preferimos privilegiar a renovação. Agora, quem foi vereador durante oito anos poderia pleitear um mandato de deputado estadual, federal ou prefeito em sua cidade. A ideia é abrir espaço para outras pessoas darem sua contribuição, nesse entendimento de que a política não deveria ser uma profissão, até para a pessoa não perder o senso da realidade. 

IM – Qual foi a grande lição dessas eleições, tanto para o Novo, como para o país?

JA – Por toda essa quantidade de votos brancos, nulos e por uma busca de algo diferente, acho que a grande lição que fica é que as pessoas estão cansadas da política da forma como está. Ainda estão procurando o que é um novo caminho, mas a leitura em geral é que há um esgotamento das lideranças naturais e a busca por mais ideias e propostas. 

IM – Levando em consideração sua trajetória no mercado financeira, o senhor pode contar um pouco mais sobre como investe seu dinheiro?

JA – Como o Novo toma quase meu tempo inteiro, continuo a investir, mas sempre em opções bastante tradicionais, só o feijão com arroz. Com esse nível de taxa de juros, prefiro deixar recursos aplicados no CDI ou alguns títulos públicos atrelados à inflação. Acho que no Brasil a liquidez tem um prêmio tão elevado que acaba direcionando para isso. 

IM – Muito se associa a imagem do Novo ao movimento crescente de negação da política. Isso incomoda?

JA – Achamos muito importante a participação na política, por isso, a montagem do partido. As mudanças necessariamente são feitas pelas instituições democráticas e o que temos sempre pregado é fazer política de forma diferente, mas não negá-la. Não acreditamos nessa ideia de ser apartidário e não se envolver na política. Não há saída fora da política. 

IM – Quais são os principais problemas que o senhor avalia no Brasil hoje? E qual a leitura que faz do atual governo que assumiu com o impeachment de Dilma Rousseff?

JA – Ainda é cedo para avaliar o governo. A gente vem de uma gestão muito ruim, com ideias erradas, gestores ruins e atitudes erradas. Para qualquer coisa que viesse depois, a probabilidade de ser melhor era muito grande. Acho que eles estão tomando algumas medidas na direção correta, como a preocupação com a Reforma da Previdência e o teto de gastos. Agora, precisamos ver a execução. O que incomoda um pouco é que não se tem, nos órgãos públicos e nos representantes políticos, a necessidade de corte dos seus próprios gastos. Essa questão de dar o exemplo é algo que a gente deveria estar vendo na área pública.

Acho que o principal problema [do país hoje] é recuperar rapidamente a credibilidade para baixar os juros e ter uma carga tributária menor. É difícil investir e empreender no Brasil hoje. Isso acabou nos jogando em um ciclo vicioso muito ruim: ninguém faz negócio, a carga tributária é menor, e aí tem a iminência de se criar um novo imposto. Desta forma, você desincentiva a iniciativa privada. Temos que reverter esse ciclo. E acho que seria importante dar exemplos de austeridade dos próprios gestores públicos. 

IM – O senhor acredita que até o momento houve iniciativa expressiva do atual governo nesse sentido?

JA – Ainda não. É aquela história: não é lei que resolve nosso problema, são as atitudes. Precisamos ver isso agora e desmontar esse conjunto de tantos interesses. O governo tem que começar a não ficar tão refém e realmente começar a dar o exemplo para que possa cobrar dos outros.