Semana deverá ser de volatilidade e cautela para o mercado de ações

Analistas destacam foco do mercado na agenda doméstica, com Copom e indicadores, e na crise política do mundo árabe

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SÃO PAULO – Com os investidores de olho na decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) e na divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) do ano passado, além de continuarem acompanhando a crise política, a semana que começa nesta segunda-feira (28) deverá ter mercado de ações com forte volatilidade e com investidores cautelosos.

 

Volatilidade e cautela
No mercado de ações, a semana vai ser de forte volatilidade e cautela, segundo os analistas. Os principais fatores serão a já citada agenda doméstica da semana e também as tensões políticas no norte da África e Oriente Médio.

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Para o economista Jason Vieira, da Cruzeiro do Sul Corretora, “os elementos para um cenário de forte volatilidade estão presentes e dificilmente devem desaparecer no curto prazo”. Vieira cita como maior problema as tensões políticas no mundo árabe, mas destaca também a questão das dívidas soberanas, tanto de países europeus como também dos EUA e do Japão, e a inflação.

Na mesma linha, a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares, afirma que “o mercado acionário deve ter uma semana de volatilidade”. Nesse contexto, Tavares destaca a reunião do Copom e o resultado do PIB no âmbito doméstico, e a crise política no Oriente Médio e norte da África dentro da cena externa.

A crise no mundo árabe também é lembrada por George Sanders, da Infinity Asset. Segundo ele, “semana segue complicada com os desdobramentos da crise no norte da África e no Oriente Médio” e, desta forma, o mercado adotaria um tom de cautela nos próximos dias.

Por sua vez, os consultores da Rosenberg afirmam que o problema na Líbia, principal foco da tensão política no momento, “caminha para uma solução”, tirando impulso da cotação do petróleo e preocupações com a recuperação econômica das economias mais desenvolvidas. “O efeito disto na bolsa é de lado, ou até mesmo levemente para cima, no curto prazo”, afirmam.

 

Copom chama a atenção
Na agenda desta semana, o principal destaque fica por conta da reunião do Copom, que acontece nos próximos dias 1º e 2 de março. O consenso do mercado aponta para uma elevação de 0,50 ponto percentual da taxa Selic, aumento que deixaria o juro básico em 11,75% ao ano. Entretanto, uma alta maior não é descartada.

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Segundo os analistas da Lerosa Investimentos, “a definição da nova taxa de juros na quarta-feira deve concentrar as atenções”. Os consultores da LCA indicam um aumento de 0,50 nas próximas duas reuniões do Copom. “Porém, não descartamos de todo a possibilidade de intensificação desse ritmo [de elevação da Selic] para 0,75 ponto percentual”, ressalvam, afirmando que essa seria uma forma de “o BC recuperar parte da credibilidade perdida e reancorar as expectativas de mercado”

Ainda na agenda, a semana reserva outros indicadores domésticos que devem ficar no foco dos investidores. Na próxima quinta-feira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publica o PIB de 2010. Para os consultores da LCA, os dados deverão “confirmar o forte crescimento [da economia] no ano passado e a desaceleração do 4º trimestre”. Por fim, na sexta-feira, é a vez do mercado conhecer o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de fevereiro.