Sem medidas anti-crise, analistas revelam decepção com cúpula da União Europeia

Líderes europeus deixam ações para o próximo encontro, no final de março, com uma possível ampliação do EFSF

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SÃO PAULO – Analistas se mostraram desapontados nesta segunda-feira (7) com os resultados da reunião extraodrinária de cúpula da União Europeia, realizada no último final de semana em Bruxelas.

“A reunião da última sexta-feira desapontou até mesmo as previsões mais modestas, com uma mera promessa de adoção de um pacote detalhado na reunião de 24 e 25 de março”, avaliou Michala Marcussen, economista do Société Générale. Na mesma linha, Paul Donovan, analista do UBS, classificou o encontro como sem “qualquer mérito discernível”.

Pacto pela competitividade
Na ocasião, a Alemanha, contando com o apoio da França, propôs um plano para impulsionar a competitividade de áreas mais frágeis da Zona do Euro.

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O plano prevê a defesa da elevação da idade mínima para aposentadoria, fim da indexação salarial à inflação, harmonização de impostos e a instituição uma ferramenta que limite os governos a captarem empréstimos para sustentar seus gastos.

Segundo Lars Tranberg Rasmussen, analista do Danske, esta deverá ser uma das condições para que a Alemanha aceite a ampliação do EFSF (Fundo Europeu para Estabilização Financeira).

Abrangência
Ademais, Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, chanceler da Alemanha e presidente da França, respectivamente, afirmaram que economias de fora da Zona do Euro também poderiam integrar o pacto de competividade, convite que Paul Donovan diz ser “sábio recusar”.

O economista do UBS ainda repercutiu a afirmação da ministra de finanças da França, Christine Lagarde, de que já existem fundos suficientes para lidar com crises do euro no futuro. Segundo Donovan, isto poderá se aplicar à crise em Portugal, mas ao mesmo tempo parte do pressuposto que não haverá novos problemas na Zona do Euro.

Próxima reunião deve ampliar EFSF
Por fim, para a próxima reunião, nos dias 24 e 25 de março, Marcussen, do Société Générale, espera que o EFSF seja ampliado para € 440 bilhões, e haja uma nova flexibilização para empréstimos destinados à recompra de títulos.

“Em nossa opinião, isso não bastará para encaminhar as questões fundamentais de solvência e governança econômica. Em suma, nós vemos mais turbulência à frente”, finalizou a analista.

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